By Helvécio Santos /
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A linguagem do teatro, a perfórmace pública e o bordão do esquete, são as armas que confrontam o poder e a omissão tanto do estado como da sociedade ucraniana bem como de todo o mundo. São o que basicamente essas jovens, sem dinheiro, sem mídia, apenas com talento e coragem de sobra, podem fazer, e estão de fato fazendo pelas mulheres de seu país e quem sabe pelas demais mulheres do mundo. É um grito repetido solitariamente que quebra o frio silêncio da noite.
O Femen Moviment recebem apoio de não poucos homens ucranianos e da sociedade ucraniana.
É prazeirosamente que mais uma vez faço questão de tonar publico e colaborar para que a luta dessas jovens do outro lado do mundo a favorda sua própria dignidade e por extensão das demais mulheres seja amplamente conhecida e se de algum modo a sua luta dor reprimida pessoas se solidariezem-se com a sua luta.
Um paraíso do turismo sexual
Cerca de vinte milhões de pessoas visitam a Ucrânia por ano. A capital Kiev é um destino popular. Infelizmente, uma das principais atrações turísticas é o sexo pago. Por anos, a Ucrânia foi uma fonte de mulheres para o mercado do sexo. E com as mudanças de regra de visto, além de exportar prostitutas, está importando clientes de garotas de programa.
O problema está muito mais grave agora com a crise econômica com desemprego 50% maior do que em anos anteriores. O ministro Yuriy Lutsenko recentemente declarou em rede nacional que o país está se tornando um paraíso para o turismo sexual.
“A Ucrânia não é um bordel”
Com a moeda desvalorizada e regime de fronteiras sem necessidade de visto para norte americanos e europeus desde 2005, os hotéis locais se transformaram em bordéis que facilitam seus hóspedes a encontrar as prostitutas. No ano passado, dois concierges de hotéis de elite foram presos por cafetinagem.
Um alerta para quem pensa que não há problemas com isso: a exploração de menores frequentemente anda de mãos dadas com a prostituição. Para Irina Konchenkova, presidente da ONG School of Equal Opportunities, 30% das prostitutas estão na faixa etária entre 11 a 17 anos.
Além desse polêmico assunto, existe um outro mais sutil: ao invés de procurar uma prostituta, o turista vai para bares e baladas seduzir garotas locais pagando bebidas e prometendo mundos e fundos… com a finalidade de a levar para a cama facilmente.
A Internet facilita a prostituição
O impacto das tecnologias da informação no tráfico de sexo é objeto da pesquisa de Donna Hughes, Pimps and Predators on the Internet, que conta como o colapso da União Soviética implicou em desemprego em massa a mais de seis milhões de mulheres russas, que ganhavam metade do salário de homens.
Konchenkova comenta como na Ucrânia existem adolescentes que sonham com o estilo de vida de luxúria, e que ao mesmo tempo tiram notas baixas na escola. Para ela, é essencial que exista uma mudança dessa mentalidade sonhadora para que ocorra o empoderamento necessário para prevenir a prostituição.
Entrevista com Anna Hutsol, líder dos protestos
Entrevistei a Anna Hutsol, que é a líder do FEMEN, um grupo que cria condições mais favoráveis para jovens mulheres se unir a um grupo social com a ideia geral de suporte mútuo e responsabilidade social.
Anna Hutsol, líder do FEMEN.
Victor – Anna, qual é a situação atual do turismo sexual na Ucrânia?
Anna – Desde 2005, quando a Ucrânia passou a dar vistos gratuitos de entrada no país, o fluxo de turistas aumentou. E com eles, vieram também os turistas sexuais.
A Ucrânia ficou com imagem de país de sexo fácil e repleto de prostitutas: primeiro, a Ucrânia é conhecida pelas suas belas mulheres. Segundo, é fato que 23% das prostitutas na Europa são ucranianas. A indústria do sexo usa técnicas de propaganda para ampliar esse efeito a seu favor.
Victor – Quais são os fatores relacionados aos problemas existentes hoje?
Anna – Pobreza, baixo índice de educação e aplicação inadequada da legislação e falta de apoio governamental para temas sociais… combinados com belas mulheres e cultura patriarcal. São todos fatores que podem transformar um país no paraíso do turismo sexual e prostituição.
Protesto em Kiev
Victor – Alguns websites que anunciam serviços de escorts dizem que como regra geral é perfeitamente possível receber prostitutas em seus quartos de hotel. E que em alguns casos em que a segurança do hotel apresentar restrições basta dar entre 10 a 20 dólares como propina para que tudo se resolva. A prostituição é legalizada na Ucrânia?
Anna – Não. E o que surpreende é que antes das eleições recentes que tivemos, o grupo FEMEN patrulhou a área Khreschatik, que é uma das regiões de maior movimento em Kiev, entrevistando estrangeiros que caminhavam pelas ruas. A maior parte não sabia que a prostituição não é legalizada na Ucrânia.
Victor – O que você acha das propostas de legalização da prostituição? Seria uma forma de ajudar as mulheres com maior regulamentação e controle, afastando riscos para as profissionais do sexo?
Anna – Eu diria que essa é uma falsa crença. As pessoas são enganadas a acreditar na ideia da legalização pois para elas essa seria uma liberdade de escolha. Quando se olha para as prostitutas ucranianas, a maior parte não tem escolha.
Victor – Na Suécia, a abordagem escolhida foi criminalizar o ato de compra do sexo. O que você acha dessa política?
Anna - Nós consideramos o chamado “Modelo Nórdico” como o melhor para a Ucrânia e, para ser sincera, para o mundo todo. A prostituição é um negócio que gera cada vez mais lucros. E, como todo negócio, é a demanda que estimula a oferta.
Dois importantes efeitos acontecem ao reprimir a demanda: a oferta diminui e também propagamos a ideia de que comprar outras pessoas é algo ruim e imoral. Nós consideramos a prostituição uma forma de escravidão moderna.
Victor – Como demais mulheres podem se unir ao seu movimento?
Anna – É muito fácil se juntar a FEMEN e a nossas campanhas. Apenas me mande um email ou me telefone. É simples assim. Nós estaremos em breve inaugurando o website www.femen.org e por lá faremos campanhas de Internet.
Por isso, mesmo quem não pode comparecer pessoalmente a nossos protestos pode se juntar, em qualquer lugar do mundo! Pelo momento, nós nos comunicamos pelo Facebook, MySpace e LiveJournal.
Victor – Anna, pode contar um pouco de sua história? O que a levou a lutar pelos direitos das mulheres?
Anna – Eu estive envolvida em trabalho social por muitos anos, desde a época da universidade. Enquanto trabalhava, notei que as mulheres eram fortemente discriminadas na Ucrânia e que não havia mecanismos para mudar isso e proteger seus direitos.
Percebi também que as mulheres jovens ucranianas são tradicionalmente voltadas para o casamento – e isso as priva de sua vida social e das conquistas que poderiam alcançar. Refleti muito para decidir me dedicar a esses projetos.
Também trabalhei no showbiz e foi nessa época que tive a ideia de como as coisas poderiam ser organizadas para tornar essa mobilização interessante para as jovens, pois acredito que são elas quem podem mudar a situação das mulheres na Ucrânia.
Victor – Que mensagem você gostaria de deixar ao final da entrevista?
Anna – Tudo o que nós queremos dizer é que as mulheres da Ucrânia são belas, mas não são prostitutas.
Veja agora dois vídeos, e em um deles, uma das entrevistas dadas a um programa de tv na Ucrânia por uma das jovens mais ativas do grupo em seus vários atos públicos acompanhados pela imprensa do país.
Ukrainian activist group FEMEN demonstrate underwear made from anti-infection masks at the Independence square in Kiev, Ukraine, 9 November 2009. The youth group in recent days has organized several street protests aimed at educing public stress brought on by a flu epidemic in the former Soviet republic.
On the final day of Winter Olympics 2010 FEMEN went out on ice to show the national despair on complete failure of Ukrainian National Olympic Team. 28 Feb 2010
Activists of FEMEN, a Ukrainian women movement defending women's conditions in the society, perform during their protest action on November 16, 2009 in front of Ukraine's Education Ministry in Kiev to denounce sexual harassment of students by some university professors in the country.
Photo FEMEN / Yuri Krivenko
Enquanto as poposudas brasileiras, as loiras e as cantoras de axé music, dão repetidas provas da mais autêntica burrice e alienação, as loiras, ruivas e morenas Ucranianas dão show de bola. Ulalá!!! Elas são as beldades inteligentes e conscientes da Ucrânia. Defendem as mulheres e são contra todo o tipo de exploração e abusos por elas sofridas, na Ucrânia e no resto do mundo. São contra a prostituição feminina,e defendem melhores condições para as todas as mulheres começando pelas jovens ucranianas.
Os cartazes acima trazem as mensagens em em alemão, inglês, espanhol, francês e ucraniano (?!? na Ucrãnia se fala o Russo mas a língua oficial é o Ucraniano ): "A Ucrânia não é bordel!" como um contundente pedido de proibição da prostituição durante a Eurocopa de 2012 a ser realizada na Ucrânia. Protesto feito recentemente em 2010. Muito sérias essas meninas, estudantes universitárias em um país emergente comum dos maiores PIBs do mundo e crescendo a cada ano e de educação eficiente. As meninas do Femen possuem um site cujo link é: http://www.femen.org/ em que se pode, inclusive enviar mensagens as beldades, mensagens favoráveis a suas ações de preferência. Elas precisam de força e apoio da comunidade mundial, afinal é a Ucrânia, nunca se sabe o que o regime recém saido do totalitarismo a apenas 19 anos, pode fazer com elas se perder a paciência com as suas manifestações engajadas políticamente, não é mesmo?
Essa última foto registra um dos momentos de um protesto contra a demora das autoridades e do governo Ucraniano no combate ao virus da gripe H1N1. Êta meninas engajadas sô!! Fiquei fã delas. Enquanto por aqui as campanhas contra dengue e malária são tão impessoais não é mesmo?