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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A ÚLTIMA EDIÇÃO DE BATMAN "O CAVALEIRO DAS TREVAS" ABORDA A PERDA DA FÉ CRISTÃ... UM EXEMPLO DE QUE COMO BONS ARTISTAS USAM A SUA ARTE PARA DISCUTIR ASSUNTOS REAIS

A maioria das pessoas compreendem a ficção como uma mentira deslavada, algo inocente ou tão terrivelmente irreal que se mostra inútil a qualquer aplicação na vida real.

Na verdade, artista não é guru, profeta, vaticinando sempre algo que seja iluminador e a resposta para alguma coisa. Entretanto bons artistas, que dominem técnica e saiba usar a linguagem artística a que se propuseram usar, podem sim, muitas vezes prestar uma real e importante colaboração a que determinadas reflexões sejam feitas.

No último 15 de agosto de 2018, uma nova estória do Batman toca na relação da realidade e a manutenção ou perda da fé majoritariamente ocidental: a fé cristã!

[Batman sempre foi um personagem de super-herói sombrio que luta contra o mal, mas em uma nova história em quadrinhos publicada pela DC Comics, ele também é alguém que perdeu sua fé cristã. Na mais nova história em quadrinhos da DC, Batman #53, o Cavaleiro das Trevas/Bruce Wayne é “sequestrado para interrogatório como parte de um processo que o Mr. Freeze está movendo contra o Batman”.

 A certa altura da estória, o bilionário Bruce Wayne questiona a uma mulher sobre seu crucifixo em forma de colar, e a imagem do objeto o leva a um flashback, que revela que ele abandonou o cristianismo quando criança. Seu pai, Thomas Wayne, aparentemente criou Bruce Wayne como cristão, mas ele terminou se afastando da fé depois que seus pais foram assassinados.

 “Você acredita em Deus?”, pergunta a dona do colar a Bruce Wayne. “Eu costumava”, responde Batman. “Meu pai era cristão. Ele reteve a alma imortal, o céu, o Pai e o Filho. Dando sua vontade ao seu Senhor, confiando n’Ele conscientemente. Ele queria que eu acreditasse também. Mas ele queria que eu viesse por conta própria. Ele foi à igreja. Ele me contou todas as histórias. Conversamos muito sobre o que podemos controlar, o que não podemos”, acrescenta o personagem. Mas depois que seus pais foram assassinados, Bruce Wayne se frustrou com a fé: “Eu deixei de acreditar em uma divindade. Ou acreditar em qualquer coisa que meu pai achasse capaz de tê-lo salvado”. Em seguida, Wayne se pergunta por que Deus deixou seus pais morrerem. “Eu realmente não consegui enxergar que alguma coisa o salvou. Eu saí de Gotham.

Por um tempo. Procurei algo sólido para colocar minha fé”, afirma, acrescentando que nesse momento ele se tornou o Batman. “Eu esperei por algo para me encontrar”, diz Wayne, concluindo o devaneio em suas memórias. O quadrinho chegou às bancas dos Estados Unidos na última quarta-feira, 15 de agosto, segundo informações do portal Christian Headlines.






Preview da estória original ( faça o download ):







MAS NO LINK:

Batman 53, 15 ago 2018, EUA


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ATUALIZADO!! HISTÓRIA EM QUADRINHOS, SEU LEGADO E POTENCIAL

O registro visual antecede em muito a invenção da escrita. Das cavernas passando pelos templos, criptas, malsoleus, adornos corporais, passando por todos os desenhos, paisagens e retratos em toda a história da Arte, captação de imagens e cenas reais como na fotografia e cinema.

Desse modo a HQ ( história em quadrinhos ) influenciada pelo retrato e paisagem e hoje reconhecida como literatura resulta numa linguagem visual, constituída de imagens organizadas e ilusoriamente dinâmicas que complementam narrativas e diálogos tem textos, verbais. Desse modo também ao leitor médio é mais fácil e agradável, ler uma HQ que uma cronica, um conto, um romance, etc.

Sem a necessidade do exercício da imaginação visual ou do prévio conhecimento também visual de algum ser, lugar ou coisa, a leitura de uma HQ é portanto facilitada a todas as faixas etárias, principalmente as mais jovens, sendo de agrado maior por parte de crianças, e demais jovens.

Antes criticada pela qualidade dos textos e menor exatidão linguística hoje há um maior cuidado por parte dos autores e editoras na adequação linguística, ocorrendo que os temas, pelo esgotamento de décadas e pelo esforço em manter vendas com estórias que se contradizem na sua continuidade, oferecendo versões dos mesmos personagens decididamente em manter certos números de vendas.

Como toda linguagem artística, as histórias em quadrinhos sofrem de um esgotamento natural, pelo tempo, décadas e mais décadas de produção e de exploração das personagens e dos virtuais conflitos engendrados para o também natural embate entre o bem e o mal, entre heróis e vilões.

Com os avanços digitais e editoriais o desenhar tem se tornado mais fáceis e o número de desenhistas, até brasileiros, os desenhos da estórias perderam em muito a identidade gráfica dos desenhistas antigos que primeiramente imprimiram o seu estilo no desenho de muitas personagens e suas estórias, muitos delas os criadores originais desses super-heróis e vilões.

Finalmente as HQs ( histórias em quadrinhos ) ao lado de todas as demais formas de literatura, tem o valor e o poder de contribuição de ajudar leitores e aficionados nessa modalidade artística e de literatura na identificação de bem e mal, de heróis e vilões ( uma invenção dos gregos ) além de proporcionar o equilíbrio, quando sadio, entre a fantasia e a realidade. Ou seja o importante aprendizado, e necessário, em ligar e desligar, selecionar e desselecionar a ficção e selecionar a realidade e vice-versa.

Stan Lee, desenhista, roteirista de quadrinhos, empresário do ramo do moderno entretenimento, morreu em 12 de novembro passado ( 20018 ) tendo sido reconhecido como um gênio desse ramo de literatura praticamente nascido no seculo XX. A sua contribuição é bastante moderna pois é dada na década de 60, como a criação do Quarteto Fantástico ( Fantastic Four ) seguindo-se a eles vários personagens originais que mais que inexistentes representam a alma humana e seus dilemas universais.


Por Helvécio S. Pereira*


*graduado em Desenho e Plástica e História da Arte / Pedagogo






























quinta-feira, 28 de junho de 2018

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO LITERATURA

Inicialmente as chamadas HQs ( Histórias em Quadrinhos ) não eram reconhecidas nem como arte nem como alguma manifestação artística de algum valor. Eram vistas inclusive como algo pernicioso à educação. Alçada ao patamar de literatura após mais mais de um século de sua criação, pelo menos no que se refere aos chamados super-heróis, tem como toda literatura o papel diverso, de por exemplo, da matemática como linguagem ou das ciências em geral, mais objetivo e universal tratando do lado pragmático da vida, da realidade, enquanto a literatura se ocupa com o ficcional, a experiência subjetiva e pessoal.

Dessa forma as ciências tratam das coisas mais gerais, mais ou menos imutáveis e universais enquanto a literatura das coisas singulares, locais pessoais e sem a obrigatoriedade da verdade. os quadrinhos dessa forma como literatura se ocupam da ficção, das parábolas, das alegorias. Dessa forma não competem com outras verdades, como por exemplo a verdade religiosa, científica, filosófica, ideológica, transitando eventualmente entre elas sem exatamente lhes opor ou negá-las.

Desse modo também, cumpre o importante papel, de nos tirar da dura e desconfortável realidade desse modo expandir a nossa imaginação, criatividade, uma maior prontidão para o novo, à novas informações, novas realidades, novas coisas, ainda que essas coisas sejam tão diversas e fora da nossa realidade.

Nós como pessoas temos concomitantes duas experiências, a da sobrevivência e a dos sonhos e devaneios. Ambas são absolutamente necessárias.

Pessoas normais tem esse tênue e salutar equilíbrio que as fazem estáveis transitando entre dois mundos. Tal coisa torna capaz o indivíduo, de em um mundo de crescente e complexa informação lide melhor, entenda, compreenda novas inter relações e realidades.

Por Helvécio S. Pereira













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