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quarta-feira, 22 de maio de 2024

COMPOSIÇÃO MUSICAL... COMO FAZÊ-LA

 



 Como surge a música, como ela se origina?

Poucas pessoas param para pensar seriamente sobre esse fenômeno. Primeiramente a música só existe na experiência humana porque simplesmente somos programados biologicamente para gostarmos de música. Uma girafa pode ouvir uma peça musical mas é quase improvável que se interesse em ouvi-la ou que se emocione de alguma forma com ela. Da mesma maneira um chimpanzé. Menos ainda uma serpente ou uma abelha mesmo porque são ambas surdas ( e não são as únicas ).

Se somos biologicamente capazes de ouvir música podemos e fizemos isso bem no início da nossa história humana, de criarmos algum tipo de música. A primeira certamente a ser produzida, composta, foi certamente uma música intuitiva ou primitiva. Com a sistematização a partir de criação de sistemas musicais com regras pré definidas, pudemos compor músicas mais dentro de determinados padrões, o que fazemos até hoje, com maior ou menor sofisticação mas sempre seguindo um dodo de fazer, uma receita de bolo.

Claro, se antes a composição era esporádica, movida por razões místicas ou festivas, resultado de bebedeiras, ocasiões marcantes como nascimentos, coroação, vitórias em guerras, casamentos e mortes bem como em ritos religiosos, com o advento da indústria da música, ela passa ser uma necessidade para suprir um demanda de pessoas que compram aparelhos de som e outros apetrechos para ouvir  música.

Desse modo a composição musical para a indústria do entretenimento ( incluindo cinema, games, propaganda, tv ) é sempre intencional e dirigida a um público consumidor. Entretanto em todas as situações há uma intenção e know how, algo como fazer a música.

Logo a pessoa, a figura de um compositor não só é essencial, necessária, mas sem ele nenhuma  peça musical, nenhuma obra musical, da ruim a de excelência, da simplória a sofisticada existiria.

Mas como uma musica nasce na mente de um compositor?

Não há uma conclusão final, uma explicação definitiva que explique todas as situações de composição e de criação musical, o que se aceita com certa unanimidade é que há um componente de intuição. O que seria essa intuição, esse fator que dá partida a criatividade? ninguém com certeza sabe! mas é esse componente misterioso que da origem a tudo.

Essa intuição pode ser uma palavra, um assunto, uma situação, algo simples ou ate algo contrariamente bastante sofisticado como uma jogada em um jogo de tabuleiro, não importa, ela existe e real, acontece.

Entretanto se apenas o compostor compor e não registrar, não anotar ou como antes ocorria não ensinar outra pessoa a cantar ou tocar a sua peça musical, ela desaparece naturalmente, deixa de existir logo aos criada.

Entra aí uma segunda personagem, uma segunda pessoa, tão importante quanto quem a compôs, a figra do INTÉRPRETE.

O intérprete não é somente que canta uma canção ou toca um instrumento musical, faz mais do que isso, ele dá vida e alma nova a composição feita por outra pessoa, por outro compositor.  Há poucos casos em que o autor/ compositor é também o intérprete, algo muito comum na música popular e no passado na música erudita, em que os autores/compositores tocavam, executavam publicamente as suas próprias composições.

Um intérprete assemelha-se a um ator, ao cantar ou tocar uma peça musical, deve e revive as emoções ( as vezes recria ) as  mesmas emoções do autor compor uma obra musical. Logo o papel de um intérprete, seja cantando ou executando uma peça musical totalmente instrumental é fundamental no caminho da obra musical após a sua composição.

Entretanto o processo não pára aí. Se parasse nesse ponto todo o processo, o caminho da música, da obra musical chegar até nós ouvintes não se completaria.

Ao final e início dos séculos XIX e XX os processos de registros sonoros possibilitaram a criação de um novo produto, novo no cenário humano-social e tecnológico: a venda do que fora gravado a um público que o compraria. Surge então a poderosa e praticamente mundial indústria fonográfica com todos os seus braços e ferramentas, estratégias que vão desde a produção à distribuição das obras sonoras.

Logo, o caminho que temos, em que a composição musical contemporânea percorre é:


COMPOSIÇÃO >  INTERPRETAÇÃO > PRODUÇÃO 


A maioria das pessoas imaginam que os artistas que possuem e atraem visibilidade são não só eventualmente autores de suas "músicas" mas aqueles que criam e cuidam de todos os detalhes de uma pressuposta composição musical, o que não é definitivamente a verdade máxima. Uma produção musical moderna não é obra de uma única pessoa mas de um conjunto de profissionais tecnicamente especializados, cada um em sua área dentro da produção musical, o que hoje é um trabalho totalmente colaborativo.

Que pessoas fazem parte e são os profissionais necessários e capacitados tecnicamente para a produção musical moderna?

Arranjadores

Instrumentistas ( cada um em seu instrumento musical específico )

Solistas ( contratados para compor um riff, um solo numa transição da canção, como uma ponte, introdução, etc )

Back vocals ( coro ) para cantarem junto ao cantor ou ao fundo de uma peça musical mesmo instrumental.

Engenheiros de som ( responsáveis pela captação de som tanto ao vivo como em estúdios )

Editores de som ( após todo o material gravado edita, apaga, realça, mixa o material gravado dando a forma final e tradicional de uma canção ou peça musical para ser ouvida em diferentes tecnologias seja, vinil (  que está voltando, CD, mp3, ogg, wav, dat  etc )

Artistas gráficos /fotógrafos profissionais que preparam visualmente a obra musical fazendo capas, cartazes, material gráfico para divulgação em geral.

Produtores e editores de vídeo
para criação de vídeo clips, um recurso moderno para agregar a canções uma segunda mensagem e que se tornou tão ou mais importante para divulgação de músicos e cantores.

Distribuidores que farão com que a obra musical, música ou canção, chegue as diversas mídias: rádio, tv, web etc





Por Helvécio S. Pereira

Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG

e em pedagogia pela FAE/UEMG

Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte Minas Gerais e ex-formador  da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.

Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A VIDRAÇA E A PAISAGEM.

.



Não é de hoje o que menciono a seguir. Trata-se, na verdade, de um processo que com
desenvolvimento da tecnologia nas mais diversas áreas, do aperfeiçoamento e do aprofundamento do conhecimento, de uma terrível inversão de valores.


Em todos os momentos da vida nos confrontamos com isso, seja individualmente ou em
grupo. Há coisas que devem ser, ou são prioritárias, portanto mais importantes, que
devem ser observadas, devem vir portanto antes das outras.

Em uma eventual inversão pessoas menos sensíveis ou com pior qualidade de informação e formação podem, eventualmente, nem notar e até julgarem inapropriadas qualquer observação em contrário.

Tomemos por exemplo a Arte e mais exatamente ,por ora, a música. A música é uma linguagem ( pena que muita gente não saiba e nem se dê conta disso).

Portanto um composição musical, uma peça musical só tem sentido se for a expressão de algo que o artista compositor, de certa forma, experimentou no seu processo de composição.

Aí reside o real e verdadeiro valor dessa peça musical: o que ele, artista disse
na sua música. Evidentemente hoje há, e quem conhece o processo, toda a tecnologia
envolvida, irá perceber o que quero dizer, que aperfeiçoa essa composição, seja em
termos de arranjo, sonoridade, correção, etc.

Mas semelhantemente ao diamante que após retirado do solo não tem beleza alguma e que
só terá essa beleza extraída após um processo de lapidação, uma peça musical só será
eventualmte mais bela se empregarmos na medida certa toda a tecnologia disponível
que vai desde a qualidade dos instrumentos, passando pela palhafernália de estúdio,
conhecimento técnico dos produtores, engenheiros de som, arranjadores, instrumentistas, etc que tornarão essa composição, essa expressão, concreta e perceptível no mundo.

A vidraça pela paisagem, essa troca, essa inversão de valores é terrível quando certos críticos, o mercado, o público, a mídia enfim passam a valorizar "detalhes" que nada têm a ver com
a "verdade" da obra artística.

NO PRÓXIMO POST COLOCAREI UM VÍDEO QUE MOSTRA PARTE DA TECNOLOGIA
ENVOLVIDA NA MATERIALIZAÇÃO DA MÚSICA HOJE MAS QUE SE MOSTRA DE
CERTO MODO COMPLETAMENTE ALIENADA DA VIDA, DA ARTE E PORTANTO DO HOMEM.

A vidraça pela paisagem ...a música!



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