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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

POLÊMICA: É ARTE OU NÃO É ARTE? É ARTISTA OU NÃO É UM ARTISTA?

ENSAIO HUM

I
ndubitavelmente há certas ocupações e profissões que se mostram socialmente mais honrosas que outras temporal ou circunstancialmente. Ser artista, por exemplo, já passou por uma ocupação ou profissão importante, maior e menor, retornando a uma dessas condições temporalmente.

Se antes ser artista caracterizava desocupação, preguiça, improvisação, não sujeição às normas sociais mais aceitas, desinteresse pelo estudo ou pela informação formal, hoje ser um ou uma "artista" como sinônimo de celebridade,parece capacitar a qualquer um a ser uma espécie de portador e certo arauto de determinada verdade. Sociedade e próprios aspirantes a artistas parecem ultimamente reforçar esse falso caráter positivo de artistas e da Arte.

Sobre a mais recente polêmica acerca do que seja ou não Arte, quem seja ou não artista, portanto essa postagem trata exatamente disso e que coisas podem ser mais claras nesse confuso e nem sempre honesto por parte do corporativismo de alguns artistas.

Até que ponto uma formação técnica ou acadêmica é necessária ou ainda é questionável em uma pressuposta produção artística individual coletiva?

A Arte é de fato composta por várias linguagens dentro de si mesma ( como pintura, desenho, escultura, urbanismo, cinema, fotografia, moda, música, dança, etc. ) e cada uma delas com seu relativo e crescente grau de sofisticação e de complexidade deva ser mantida e considerada.

Além do apontado há algo na Arte como certo grau de subjetividade, discurso indireto, sintético com lacunas e inexatidões, se revestindo na maioria das vezes de uma pressuposta verdade embora se coloque como aventadora de tal verdade.

A Arte se caracteriza, como dito, anteriormente como a MANEIRA ou MODO menos simples de expressão de qualquer opinião, pensamento, ideia ou crença.

Quando um ou mais artistas produzem uma obra artística, ao pintarem quadros, comporem músicas, criarem peças de moda, desenharem HQs ( histórias em quadrinhos ), fazerem filmes, o fazem do modo mais indireto e muitas vezes incompleto: com rodeios e lacunas, tudo o que de outro modo poderia ser dito objetiva e mais diretamente.

Há de se lembrar objetivamente que todas as atuais profissões modernas se constituíram como tal a partir do empirismo, evoluindo para um discipulado até se tornarem resultado de formação técnica ou acadêmica. Com a Arte e os artistas não sucedeu diferentemente.

Ainda hoje após uma formação acadêmica formal, legal, muitos artistas profissionais de formação acadêmica formal se submete a um tutor com maior idade e experiência como ocorre com pianistas virtuoses jovens. O mesmo sucedo com pintores, cineastas, diretores de cinema, atores e atrizes. Grandes arquitetos tem aprimorado sua experiência e enriquecido seus referidos currículos passando por grandes ateliês de arquitetura e de urbanismo.

Logo é perceptível e comprovado que muitos artistas são, diferentemente, de outras áreas profissionais, trabalhadores e profissionais que muitas vezes, e quase sempre , são assim reconhecidos pelo fato da classe artística os reconhecerem como tal e não pelo fato de o serem de fato.

Há uma tradição de que se determinado indivíduo produz seu trabalho em algum lugar com características de espaço de arte e se seu fazer apresenta característica de um fazer artístico tal sujeito é logo "um artista".

Outro ponto é que não há de fato nenhuma relação direta do fato do indivíduo ser um "artista", ter domínio da técnica da linguagem que se propôs a usar para se expressar ou domínio ou fundamentação inquestionável, certezas sobre o que exterioriza e sobre o que ele "artista" aborda em sua obra.

Há ainda o fato que  a Arte e os artistas sempre estiveram a serviço de uma ideia, crença , ideologia, opinião ou ativismo: a falácia da "arte independente" historicamente não existe. Os artistas para sobreviverem e se promoverem sempre refletiram as correntes de pensamento com maior força religiosa, política, ideológica ou com viés ou possibilidade revolucionária, sobre esse aspecto nenhum artista ou expressão artística tem mérito em si mesma. Artistas após as mudanças impactantes nas sociedades e no pensamento humano podem simplesmente lamentar-se ou gabar-se de terem defendido  causas erráticas ou por sorte estarem listado historicamente do lado dos vencedores.

Curiosamente o judaísmo e o cristianismo ( pré-catolicismo romano ) não tem a sua fé sustentada em algumas manifestações artísticas como esculturas e pinturas as mesmas como exemplos a seguir são erráticas mesmo produzidas por artistas de técnica e talentos admiráveis.

A Arte sob essa análise deixa de ser importante já que artistas reconhecidos na sua realidade não são profetas nem tão pouco sábios iluminados, descobridores e anunciadores de verdades absolutas, críticos cujas análises possam ser de fato levadas em conta, pessoas a serem ouvidos com destaque acima das demais vozes e instituições? não!

De fato a ignorância das massas ( não sobre arte, não como simploriamente certos artistas atribuem a burrice do público, por "não entenderem de arte", acusação de ativistas com superficialidade ) em não dominarem as singulares técnicas de cada linguagem artística é que causa comoção e admiração exagerada. Na Coreia do Sul, todas as meninas aprendem piano desde a infância, nas palavras de uma jovem e virtuose pianista coreana, ser pianista na Coreia do Sul é muito mais do que saber tocar piano. Lá há pelo menos duas décadas toda uma geração de garotas tocam piano, leem partituras e dominam a teoria musical com naturalidade. Não é como no Brasil onde qualquer cara de pau, aventureiro,teno gravado um CD, já obtém por força da legalização uma carteirinha concedida pela Ordem dos Músicos.

Essa mesma ignorância ou limitação no momento do debate acerca do assunto, uns pela forma simplória como julgam poder falar sobre a Arte, outros por corporativismo e compartimentação do saber artístico: quando artistas aparentam ou mostram conhecimento "artístico" ele é bastante restrito, mesmo quado dominado à sua restrita área de atuação e de produção, assim por autoproteção e repito por corporativismo simplório se auto defendem na ignorância mais crassa e patética.


Helvécio S.Pereira *


Graduado em Desenho e Plástica e História da Arte pela EBA/ ESCOLA DE BELAS ARTES/ UFMG
Pedagogo, graduado em Supervisão pedagógica, com licenciatura em matérias pedagógicas / UEMG


OS EXEMPLOS ABAIXO  CONSTITUEM EXEMPLOS DE "ERROS" COMETIDOS POR ARTISTAS RECONHECIDOS UNIVERSALMENTE EM NOME DO PENSAMENTO E DA CRENÇA DOMINANTE EM SUA PRÓPRIA ÉPOCA

 



Ninguém questiona que a tradicional ceia realizada por Jesus Cristo junto as seus discípulos não poderia como certamente não foi, do modo que o genial Leonardo da Vince retratara? por exemplo o costume da época era comer deitado de um lado, sobre almofadas ou sentados no chão ao redor de uma pequena mesa baixa!

Se acertadamente a despeito da importância da obra e da lembrança que produz em nós espectadores e crentes ela é factualmente errática e feita segundo a encomenda e gosto dos seus encomendadores, como um arte contemporânea exposta em um museu com um curador confessadamente inclinado e simpático a diferente ordem social e à uma reengenharia social pode definitivamente sr considerada portadora de uma "verdade" e iluminador sob os mais superficiais critérios práticos sendo louvada e defendida como "livre" e acima de qualquer crítica razoável ? É óbvio que não!



COMO IMPORTANTES OBRAS DE ARTE RECONHECIDAS UNIVERSALMENTE SÃO RESULTADO ÚLTIMO DE INÚMERAS INFLUÊNCIAS DE SEU TEMPO








sábado, 30 de setembro de 2017

RECORDANDO O REAL E IMPORTANTE CARÁTER DA ARTE E DESCONSTRUINDO DESCONSTRUÇÕES DESONESTAS


"Há de fato tanta coisa realmente louvável na Arte que  não são alguns desatinados que farão as pessoas prefirirem o irrazoável às coisas boas e louváveis"
Helvécio S. Pereira



Recentemente duas exposições cujos curadores vencedores de projetos apresentados a duas grandes instituições financeiras causaram natural e justa comoção social por seu tom desrespeitoso e nada inteligente causando reação justa e ainda inferior e educada ao que elas desastradamente provocaram:
a Qeermuseum bancada pelo Santander e a última perfórmance no MAM bancada pelo Itaú, ambasalavancadas pela suspeita lei Rouanet.

Antes de mais nada o motivo dessas exposições e manifestações artísticas oportunistamente engendradas nada ou pouco têm a ver com Arte ou desenvolvimento da mesma como linguagem singular humana, trata-se, estas já ocorridas e outras que certamente teimarão em vir, parte de uma ativista reengenharia social promovida por engenheiros sociais com simpatia esquerdistas e não apenas críticos de alguma mazela da cultura ocidental mas pessoas que odeiam a única cultura que possibilitou minimamente terem a liberdade para discordância que cultivaram em si mesmos.

São todas manifestações visíveis e planejadas para solapar os valores e ridicularizar a cosmovisão que mesmo com a real liberdade ocorrida e possível somente no Ocidente herdeiro da cultura nascida  ao nordeste na velha África migrando mais ao oeste e se movimentando para o noroeste atingIu o que serIa a Europa alcançando finalmente as Américas.

Se o Islam ou religiões asiáticas tivessem prevalecido antes que o japão da época, Portugal seguido pela Espanha com o seu cristianismo católico romano seguido após pelo cristianismo protestante, esses pseudo artistas francos odiadores da cultura cristã principalmente jamais teriam forjado nada da cosmovisão que almejam implantada no mundo e que agora desafia obstinadamente o cristianismo de modo geral. Esquecem esses que se por acaso todos os valores judaico-cristãos porventura fossem erradicados da cultura ocidental, o islam estaria ás portas e com a sua dominação sem nenhum impedimento não trataria o seu ativismo e as suas ideias anti-família, de sexualidade indesculpavelmente pervertida com alguma misericórdia, que diria paciência.

Algumas informações falsas e de devida confrontação:

" As pessoas ( a maioria das... ) não vão a museus e portanto não são capazes de entender a Arte ( o de  Arte )

Afirmação errática e portanto falsa:

1) As pessoas não vão mais a museus que em outras instituições, fato, mas isso não as torna pessoas sem contato com a arte! a Arte está em todos os lugares, entramos nela através da arquitetura, vestimo-la quando usamos roupas e acessórios, caminhamos por ela nas expressões do urbanismo, vemos a em todos os momentos e lugares, ouvimo-la através de todos os tipos de música. Museus não são nem sequer instituições legiTImadoras do que deva ser arte válida ou não válida, são apenas espaços em que parte da produção artística é organizada por um motivo aleatório, principalmente ideológico e portanto discutível e incapaz de automaticamente iluminar qualquer uma pessoa sobre o caráter da Arte.

2) Nem os artistas ( das mais diversas manifestações e linguagens ) têm clareza e certo nível de certeza confiável sobre o que seja a Arte, logo as pessoas comuns não são mais obrigadas que os curadores de Arte e os próprios artistas do que seja exatamente a Arte!

3) justificar o desconforto e o direito justo e legítimo das pessoas não gostarem do que viram e do que ficaram sabendo significar ao nomeá-las de "burras' ou iletradas é no mínimo uma canastrice!

" desejamos apenas colocar em discussão algo que a sociedade machista e conservadora se recusa a aceitar pelo seu preconceito.'

Afirmação errática e igualmente falsa, facilmente desmentida:


1) Não pretendem que se discuta nada, trata-se de uma ativa imposição ideológica, por isso se socorrem de leis, escritas e aprovadas com apoio de militância treinada, distorcendo dados e informações, desprezando ostencivamente a ciência que dizem apoiar suas opiniões;

2) Em toda discussão objetiva  respeitosa se perdem e partem para bravatas, desinformação e ofensas a seus oponentes que na maioria das vezes educadamente os questiona e os confronta;

3) Nas suas mais diversas manifestações e expressões de sexualidade manifestam os mesmos e muitas vezes mais exaltados sintomas de dominação sexual, as mesmas que dizem eles combater nas pessoas tidas como heterossexuais;

4) Curiosamente exatamente a parcela, curiosamente majoritáŕia em todo o mundo e em toda a história humana, é a que possibillitou que eles como pessoas, como seres humanos viessem a existir. se majoritariamente a humanidade, do grupo humanos mais sem recursos até ao mais avançado e aparelhado tivesse adotado a sua cosmovisão esse agrupamento humano não teria sobrevivido!

Finalmente ( apenas por ora! ):

Artista nenhum, do genial ao medíocre é automaticamente portador de nenhuma verdade!

Nenhuma obra de Arte é por si mesma a manifestação reveladora de nenhuma verdade mesmo sendo linguisticamente genial.

Arte é meio, não é fim em si mesmo e nem uma verdade objetiva passível de alguma fé ou iluminação!

A Arte sempre em todas as épocas e culturas esteve e está sujeita a um discurso resultante de alguma crença, seja ideológica ou religiosa, deve ser analisada, criticada e até impedida dependendo do seu potencial efeito danoso, curiosamente ditado pela maioria, um elemento e sintoma salutar capaz de peneirar e deixar sobreviver somente o que é útil e positivo!

Podemos dizer que esse mecanismo quase natural corrente em outras áreas do pensamento humano
e das próprias atividades humanas impede que o que seja definitivamente danoso sobreviva indefinidamente graças a um esgotamento e fragilidade naturais, rejeitado por uma inteligência e razoabilidade que expõe justamente suas mazelas.


Por Helvécio S. Pereira *

* graduado em História da Arte, Desenho e Plástica ( UFMG )  e Pedagogo ( UEMG )

Sobre a maravilhosa e jovem, bela, exuberante, virtuose, gorgiana tudo em um só pacote, Khátia Buniastshvili e sua passagem por São Paulo, Brasil.




Durante as tardes dos dias de semana, a Fundação Osesp é um local tranquilo. Algumas crianças perambulam em seus uniformes escolares entre as atividades do coro infantil e músicos compenetrados cruzam os corredores em direção aos ensaios. Na quarta-feira, dia 21, no palco da Sala São Paulo, o corpo da Orquestra Sinfônica de São Paulo repetia à exaustão movimentos de peças de Édouard Lalo, Robert Schumann e Georges Bizet, regidos pela batuta da francesa Nathalie Stutzmann. Ao contrário do que se vê nos dias de apresentação, os músicos não trajavam vestes de gala. Stutzmann parecia muito confortável em seu par de tênis de corrida – num contraste gritante com a atração principal da semana, a georgiana Khatia (se pronuncia “Rátia”) Buniatishvili. Atacando as teclas do piano no centro do palco, ela vestia calça preta de cintura alta e camisa preta com detalhes em prata, que combinavam com seu sapato metalizado de salto agulha e bico fino. O batom vermelho podia ser visto à distância. A pianista virtuose surpreende olhos, além de ouvidos desavisados, mesmo durante os ensaios. Khatia coleciona prêmios de reconhecimento por seu talento ao lado de críticas – algumas cruéis – tanto por sua aparência e postura quanto pela maneira como toca.


Ela gosta de usar decotes profundos nos vestidos de grife com os quais se apresenta. Ao interpretar uma peça, Khatia fecha os olhos e tomba a cabeça, deixando seu cabelo castanho escuro cair em seu rosto. Lembra, segundo alguns críticos, a pianista argentina Martha Argerich, que despontou nos anos 1970 como um vulcão sensual ao piano. Assistir aos maneirismos de  Khatia é um espetáculo à parte e há quem se incomode. “Isso tudo foi muito marcante. Mas onde estava o sentido musical? Quando tudo é levado ao extremo, o que fica é uma série de choques no sistema nervoso, que muito em breve se desgastará”, afirmou o crítico Ivan Hewett, do jornal britânico The Telegraph. Khatia não está disposta a mudar seu estilo para ser intelectualmente convincente. “As pessoas que prestam atenção a meu físico e minhas roupas tentam me colocar numa caixa. Se eu mudar, significa que os machistas ganharam.” Sua sensualidade gerou ao menos uma lenda no meio: corre por aí que um vídeo de Khatia tocando foi removido do YouTube por ser muito provocante. Ao ouvir sobre o rumor, ela se assusta, como que sem entender o que se passa.



Outro alvo de questionamentos é sua interpretação. De longe, os braços parecem tentáculos, movendo-se rapidamente de um lado para o outro. Mal dá para enxergar os dedos flutuando sobre as teclas brancas e pretas. Andrew Clements, crítico do jornal britânico The Guardian, chegou a chamá-la de imatura e criticou duramente a rapidez e a intensidade de seu toque. Para ele, Franz Liszt não deve ser “reinterpretado”.

Khatia convive bem com a polêmica. Ela cita os grandes mestres quando quer enfrentar críticas. Franz Schubert, por exemplo, era considerado um compositor inferior e enfrentava dificuldades financeiras por falta de apreciação. “Quando criança descobri que muitos dos artistas de quem eu gostava dividiram opiniões em sua época. Hoje ninguém duvida mais deles e de como transformaram a história da música”, diz a pianista. “Eu me acostumei com a controvérsia.”

Nascida em 1987 em Batumi, cidade localizada entre o Mar Negro e o Cáucaso, Khatia sabe que controvérsia não é das piores dificuldades que alguém pode enfrentar. Sua família temia a guerra civil em andamento no início dos anos 1990. Não havia eletricidade e o aquecedor deixava a casa com cheiro de óleo. “Financeiramente, era muito difícil. As pessoas formavam filas longas para conseguir comida”, afirma. Uma forma de sua mãe, Natalia, tentar manter a normalidade dentro de casa foi ensinar as filhas a tocar piano. Khatia começou a ter aulas aos 3 anos e logo se mostrou um prodígio. Aos 6 apresentou-se em seu primeiro concerto. Ainda hoje, diz ter as mesmas sensações ao subir ao palco: medo e prazer. “Você não tem garantia de que tudo ficará bem, mas sente uma enorme liberdade para criar”, afirma.

Em julho deste ano, a pianista foi laureada com o ECHO Klassik 2016 Award, um prestigioso prêmio da Associação da Indústria Musical Alemã. É a quinta honraria que recebe por seu talento. Dá para baixar no iTunes e conferir no YouTube o quarto álbum, Kaleidoscope (Sony Classical) – no qual as interpretações arrojadas e criativas dão alguma razão a quem a compara à grande Martha Argerich.
Fundação Osesp – Sala São Paulo
Nathalie Stutzmann e Khatia Buniatishvili
24/9, às 16h30
Ingressos entre R$ 42 e R$ 194












domingo, 16 de maio de 2010

VALE A PENA SABER DO ENGAJAMENTO DESSAS JOVENS QUE AFIRMAM DE SI MESMAS: SOMOS BELAS MAS NÃO SOMOS PROSTITUTAS, EM NOME DE TODAS AS JOVENS MULHERES UCRANIANAS.


É prazeirosamente que mais uma vez faço questão de tonar publico e colaborar para que a luta dessas jovens do outro lado do mundo a favorda sua própria dignidade e por extensão das demais mulheres seja amplamente conhecida e se de algum modo a sua luta dor reprimida pessoas se solidariezem-se com a sua luta.

 

 


Um paraíso do turismo sexual

Cerca de vinte milhões de pessoas visitam a Ucrânia por ano. A capital Kiev é um destino popular. Infelizmente, uma das principais atrações turísticas é o sexo pago. Por anos, a Ucrânia foi uma fonte de mulheres para o mercado do sexo. E com as mudanças de regra de visto, além de exportar prostitutas, está importando clientes de garotas de programa.
O problema está muito mais grave agora com a crise econômica com desemprego 50% maior do que em anos anteriores. O ministro Yuriy Lutsenko recentemente declarou em rede nacional que o país está se tornando um paraíso para o turismo sexual.

“A Ucrânia não é um bordel”


Com a moeda desvalorizada e regime de fronteiras sem necessidade de visto para norte americanos e europeus desde 2005, os hotéis locais se transformaram em bordéis que facilitam seus hóspedes a encontrar as prostitutas. No ano passado, dois concierges de hotéis de elite foram presos por cafetinagem.
Um alerta para quem pensa que não há problemas com isso: a exploração de menores frequentemente anda de mãos dadas com a prostituição. Para Irina Konchenkova, presidente da ONG School of Equal Opportunities, 30% das prostitutas estão na faixa etária entre 11 a 17 anos.
Além desse polêmico assunto, existe um outro mais sutil: ao invés de procurar uma prostituta, o turista vai para bares e baladas seduzir garotas locais pagando bebidas e prometendo mundos e fundos… com a finalidade de a levar para a cama facilmente.

A Internet facilita a prostituição

O impacto das tecnologias da informação no tráfico de sexo é objeto da pesquisa de Donna Hughes, Pimps and Predators on the Internet, que conta como o colapso da União Soviética implicou em desemprego em massa a mais de seis milhões de mulheres russas, que ganhavam metade do salário de homens.


Konchenkova comenta como na Ucrânia existem adolescentes que sonham com o estilo de vida de luxúria, e que ao mesmo tempo tiram notas baixas na escola. Para ela, é essencial que exista uma mudança dessa mentalidade sonhadora para que ocorra o empoderamento necessário para prevenir a prostituição.

Entrevista com Anna Hutsol, líder dos protestos

 

 

Entrevistei a Anna Hutsol, que é a líder do FEMEN, um grupo que cria condições mais favoráveis para jovens mulheres se unir a um grupo social com a ideia geral de suporte mútuo e responsabilidade social.

Anna Hutsol, líder do FEMEN.
Victor – Anna, qual é a situação atual do turismo sexual na Ucrânia?
Anna – Desde 2005, quando a Ucrânia passou a dar vistos gratuitos de entrada no país, o fluxo de turistas aumentou. E com eles, vieram também os turistas sexuais.
A Ucrânia ficou com imagem de país de sexo fácil e repleto de prostitutas: primeiro, a Ucrânia é conhecida pelas suas belas mulheres. Segundo, é fato que 23% das prostitutas na Europa são ucranianas. A indústria do sexo usa técnicas de propaganda para ampliar esse efeito a seu favor.
Victor – Quais são os fatores relacionados aos problemas existentes hoje?
Anna – Pobreza, baixo índice de educação e aplicação inadequada da legislação e falta de apoio governamental para temas sociais… combinados com belas mulheres e cultura patriarcal. São todos fatores que podem transformar um país no paraíso do turismo sexual e prostituição.

Protesto em Kiev
Victor – Alguns websites que anunciam serviços de escorts dizem que como regra geral é perfeitamente possível receber prostitutas em seus quartos de hotel. E que em alguns casos em que a segurança do hotel apresentar restrições basta dar entre 10 a 20 dólares como propina para que tudo se resolva. A prostituição é legalizada na Ucrânia?
Anna – Não. E o que surpreende é que antes das eleições recentes que tivemos, o grupo FEMEN patrulhou a área Khreschatik, que é uma das regiões de maior movimento em Kiev, entrevistando estrangeiros que caminhavam pelas ruas. A maior parte não sabia que a prostituição não é legalizada na Ucrânia.
Victor – O que você acha das propostas de legalização da prostituição? Seria uma forma de ajudar as mulheres com maior regulamentação e controle, afastando riscos para as profissionais do sexo?
Anna – Eu diria que essa é uma falsa crença. As pessoas são enganadas a acreditar na ideia da legalização pois para elas essa seria uma liberdade de escolha. Quando se olha para as prostitutas ucranianas, a maior parte não tem escolha.
Victor – Na Suécia, a abordagem escolhida foi criminalizar o ato de compra do sexo. O que você acha dessa política?
Anna - Nós consideramos o chamado “Modelo Nórdico” como o melhor para a Ucrânia e, para ser sincera, para o mundo todo. A prostituição é um negócio que gera cada vez mais lucros. E, como todo negócio, é a demanda que estimula a oferta.
Dois importantes efeitos acontecem ao reprimir a demanda: a oferta diminui e também propagamos a ideia de que comprar outras pessoas é algo ruim e imoral. Nós consideramos a prostituição uma forma de escravidão moderna.
Victor – Como demais mulheres podem se unir ao seu movimento?
Anna – É muito fácil se juntar a FEMEN e a nossas campanhas. Apenas me mande um email ou me telefone. É simples assim. Nós estaremos em breve inaugurando o website www.femen.org e por lá faremos campanhas de Internet.
Por isso, mesmo quem não pode comparecer pessoalmente a nossos protestos pode se juntar, em qualquer lugar do mundo! Pelo momento, nós nos comunicamos pelo Facebook, MySpace e LiveJournal.
Victor – Anna, pode contar um pouco de sua história? O que a levou a lutar pelos direitos das mulheres?
Anna – Eu estive envolvida em trabalho social por muitos anos, desde a época da universidade. Enquanto trabalhava, notei que as mulheres eram fortemente discriminadas na Ucrânia e que não havia mecanismos para mudar isso e proteger seus direitos.
Percebi também que as mulheres jovens ucranianas são tradicionalmente voltadas para o casamento – e isso as priva de sua vida social e das conquistas que poderiam alcançar. Refleti muito para decidir me dedicar a esses projetos.
Também trabalhei no showbiz e foi nessa época que tive a ideia de como as coisas poderiam ser organizadas para tornar essa mobilização interessante para as jovens, pois acredito que são elas quem podem mudar a situação das mulheres na Ucrânia.
Victor – Que mensagem você gostaria de deixar ao final da entrevista?
Anna – Tudo o que nós queremos dizer é que as mulheres da Ucrânia são belas, mas não são prostitutas.


Veja agora dois vídeos, e em um deles, uma das entrevistas dadas a um programa de tv na Ucrânia por uma das jovens mais ativas do grupo em seus vários atos públicos acompanhados pela imprensa do país.

fonte: YouTube








fonte: web

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Retrato de mulher Artista Henrique Maciel BH/MG técnica Grafite sobre papel
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