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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Como somos afetados pela Arte



Toda a nossa apreensão da realidade passa pelos sentidos. Podemos dizer que a nossa percepção
do mundo que nos rodeia passa, obrigatoriamente, pelos cinco sentidos : visão, audição, tato,
paladar e olfato. Podemos sobreviver com alguma adaptação a falta ou perda de um deles.


Culturalmente apreciamos e consideramos um ou outro sentido mais importante que os demais
sentidos.

A falta ou a perda de outros entretanto, talvez por ser menos comum e menos aparente, causa menos
preconceito e discriminação por parte de outras pessoas.

Por exemplo: se alguém perde ou por problemas genéticos não tem o sentido do paladar,
( muito raro ) as pessoas não saberão se alguém não disser a elas que essa pessoa tem esse
problema. O mesmo não acontece com a perda da visão ou da audição. Todas as pessoas ao
redor saberão se determinada pessoa não vê ou não ouve, enfim se tem uma deficiência visual
ou auditiva.


Os sentidos são nossas janelas para o mundo, para a vida, para a realidade, ou parte
dela.
A Arte é destinada aos sentidos se pensarmos nela de modo mais objetivo. O artista
percebe o mundo, pensa no que percebe desse mundo e expressa em alguma obra de arte por
ele produzida. Essa obra de arte é um apelo, um chamado, um convite aos sentidos dos
outros seres humanos. Eles podem ver, tocar, ouvir, até sentir o cheiro da tinta, da pedra,
do metal, etc.

Desse modo podemos dizer que o artista ao sentir o mundo através dos seus sentidos, ao
colocar na sua obra artística o que sentiu faz com que quem a vê, a toca, ouve, ou até
sente o cheiro do material usado, faz com que o espectador, o ouvinte sinta através dos
seus sentidos com uma intensidade muito maior do que ,ele sozinho, perceberia o mundo.

A arte ,então amplifica o que foi sentido por um indivíduo , fazendo que muitos outros
indivíduos percebam aquilo que não foi imediatamente percebido
no dia a dia.

Por isso precisamos da Arte, do trabalho e da produção artística dos artistas. Lembrando
também que a Arte é apenas meio, mídia, e não ela própria, a mensagem, a idéia, o sentimento,
a expressão.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Novamente o emblemático Artista

Há certas coisas que são incorporadas inconscientemente pelas pessoas. Isso acontece, geralmente,
quando não se fala sobre determinado assunto. Quando não se fala profundamente sobre algo o
que passa a prevalecer é uma idéia ,um pensamento não claro e que revela uma visão irreal
e disforme daquela realidade.

Existe, ainda um pensamento de que o artista não é uma pessoa normal, cuja vida não é normal,
cujos compromissos e relação com as pessoas não sejam também normais. Algumas pessoas pensam
com sinceridade que uma obra artística é resultado de uma mente com características de um
místico , de uma pessoa que tenha visões, uma pessoa que não reaja , que não se comporte como uma pessoa absolutamente normal, que tenha crenças normais, hábitos normais, enfim comportamentos normais.

Pessoas que pesam assim desconhece a única linha que realmente separa artistas dos não-artistas que é exatamente o desejo incontrolável de se expressar as outras pessoas, de se expessar ao mundo.

Então esse artista escolherá uma linguagem da arte que lhe estiver disponível dentro de
sua cultura, sociedade, nível econômico, etc.


Por que estou falando sobre isso? assisti uma palestra em que foi dito que um dos trabalhos de
um artista excêntrico foi valorizado como algo capaz de transformar todas as esferas da sociedade
sendo que , pela biografia do artista citado, o mesmo, era uma pessoa alheia a organização social
como a conhecemos e com a qual convivemos em grande parte do mundo. O mesmo não acontece quando
assistimos um filme cujo roteiro foi escrito por alguém bem informado, inteligente, culto.

É assim na música, na literatura, no cinema, no teatro, na arquitetura, na moda, no paisagismo,
na moda, etc.

Os muito excêntricos são perigosos em qualquer área da vida humana, até na religião. Religiosos que não são cidadãos normais, pais e mães de famílias como as demais pessoas, que trabalhem como as demais pessoas...que paguem suas contas, que
tenham filhos adolescentes, enfim que tenham todos os desafios que todas as pessoas têm...assim como artistas que não tenham uma vida normal, desconfie deles.

Você pode perguntar então: o "normal" é sempre o certo? Nem sempre. Mas não tente negar que haja um modo normal das coisas apenas para afirmar o excêntrico, o irracional. Não existe como característica a obrigatoriedade do artista ser um indivíduo sem censo, louco, alienado, diferente das demais pessoas. Existiram e existem excessões, mas são excessões por tantos outros motivos como no caso de Van Gog cuja doença não foi a razão da sua genialidade mas um obstáculo a genialidade que não se concretizou.

É assim na arte. É assim na vida de um artista. Você trataria dos seus dentes em um dentista que não se mostrasse normal, equilibrado? ou se consultaria com um médico excêntrico demais?

Lembrei a meus alunos que o vocalista do Iron Maden é piloto de grandes aeronaves,
trabalha, inclusive em uma importante companhia da Europa viajando por todo o
mundo, passando pelas mais importantes cidades e aeroportos do mundo.

Ou seja: como cidadão, como um ser humano, é uma pessoa absolutamente normal, do ponto de vista médico, psicológico, etc. Como os músicos de seu conjunto musical voariam com ele? Confiariam as suas vidas a um louco?
Na última viagem de apresentações pelo mundo ele pilotou um grande avião levando o seu conjunto musical de rock pelas principais cidades do mundo por nada menos que três meses.
Milhares de pessoas assistiram as suas apresentações, inclusive no Brasil na cidade de São Paulo no ano de 2007.

Os seus milhares de fãs em todo o mundo não conseguem separar, talvez, uma coisa da outra: o palco, a perfórmace, da vida de cidadão do artista.

Mas deveriam!

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