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quarta-feira, 15 de maio de 2024

QUAL A ORIGEM DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS

 


 

 
 


PORQUE EXISTEM OS INSTRUMENTOS MUSICAIS 

 

 Temos o hábito ruim de quase nunca nos perguntarmos sobre a origem das coisas ou os porquês das coisas serem ou existirem do jeito que são. Mas faz alguma diferença sabermos?

 

 

Antes da sua invenção , a invenção da Música, pelos antigos gregos, já havia instrumentos musicais e vários tipos de sistemas musicais primitivos experimentados pelos diversos grupos humanos, tribos, povos , etc. Esses grupos humanos certamente descobriram que o simples bater no peito cm as mãos, pelos homens, bater os pés no chão com força ou bater palmas produziriam sons adequados a marcação do tempo acompanhando danças e cantos.

 

Batidas no peito e pisadas no chão produzidos por dezenas de pessoas, talvez centenas, produziriam sons graves. Já as palmas produziriam sons mais estalados e agudos, diferenciando dos primeiros, estabelecendo uma chamada e uma resposta. O próximo passo, para poupar as pessoas, para descansá-las foi o de justamente produzir objetos que produzissem o mesmo tipo de sons ou pelo menos semelhantes.

Presumimos que foi exatamente isso que aconteceu. Nossos antepassados descobriram que poderiam criativamente construir objetos que produzissem sons peculiares e mais interessantes que os sons produzidos corporalmente. Não só poderiam despender de energia de forma diferente, como menos pessoas poderiam produzir sons e portanto um tipo de música enquanto a maioria poderia ser simplesmente espectadores, acontecendo naturalmente a primeira e importante divisão que dura até os nossos dias, entre um grupo menor de músicos e um grupo sempre muito maior de ouvintes ou de espectadores.


Presumidamente, nasce a primeira família de instrumentos musicais: a grande família dos instrumentos de percussão. Essa grande família englobando muito mais e variados instrumentos, permanece até a nossa música moderna e contemporânea, com as mesmas funções na chamada  Música Ocidental.


Compreender isso é fundamental para a compreensão e para a mais ideal sensibilidade ao ouvir qualquer peça musical, da mais simples a mais sofisticada.

Quando ouvimos um rock, ou um pop, funk, samba, bolero, tango, bossa nova, jazz ou mesmo erudita ou clássica, ao ter essas informações, facilmente distinguimos e valorizamos na medida certa o que seja o ritmo e a sonoridade escolhida para cada gênero ou momento em cada obra musical.

Dessa forma, é importante, na verdade, muito importante , a compreensão que esse tipo de instrumentos musicais, bem com os demais instrumentos musicais das duas demais mais importantes famílias de instrumentos musicais, existem para substituir na música, nós seres humanos.

Em outro momento falaremos sobre as duas outras grandes famílias de instrumentos musicais: a Grande Família dos Instrumentos de Sopro e a Grande Família dos Instrumentos de Cordas.


Por Helvécio S. Pereira

Graduado em Desenho, Plástica e História da Arte pela EBA/UFMG
Graduado em Pedagogia pela FAE/UEMG
Professor de Desenho Geométrico, Educação Artística e Artes
Músico amador/ educador musical
Fotógrafo
Blogueiro
Divulgador do sistema operacional Linux, tendo feito parte da equipe que implantou o linux na rede de educação da PBH/ MG







terça-feira, 23 de abril de 2024

ARTE, HABILIDADES E O EXAGERO DO CULTO A ARTISTAS


As
habilidades são manifestações importantes e algumas delas fenômenos humanos bastantes  visíveis e reconhecíveis. Mas não são as únicas pelas quais uma pessoa qualquer ser humano pode se realizar ou se tornar uma pessoa que viveu nesse mundo e contribui de forma importante ou anônima para a sociedade humana.


Mas afinal o que são habilidades?

Habilidades são facilidades ou tendências felicitadoras a realização de tarefas que para outras pessoas são aparentemente impossíveis, difíceis ou mesmo que feitas por elas com pouco ou nenhum brilhantismo. As habilidades podem ser natas, ou naturalmente nascidas com as pessoas, ou adquiridas como coisa nova e estranha a sua cultura e etnia originais. Ambas, as natas ou adquirias devem e podem e devem ser desenvolvidas.

Todos temos habilidades, compreendidas ou teorizadas durante certo tempo como inteligências, emocionais. Teorias e teses surgem sendo questionadas e às vezes modificadas, fazem parte da moda ou deixam de sê-lo. Entretanto, a realidade não muda conforme o nosso gosto e habilidades limitadas ou não por algum conceito passageiro não deixam de ser um fato, elas existem, são observáveis e a partir delas vemos em todo o tempo vemos coisas sendo realizadas através delas.

Baseado exatamente nessas características mal dimensionadas e quase sempre não tão correspondentes a realidade, é que se elege e se sobrevaloriza o trabalho e produção de muitos considerados artistas tidos como geniais. Frida Karlo, entre tantos exemplos ( que não são poucos ) constituem esse tipo de fenômeno em que uma pessoa é elevada como personalidade e agregado a sua panfletação social, se consolida como verdade o seu pressuposto trabalho e suspeito talento. E não se trata, também nesse exemplo, de uma inexistência de um registro ou relato de que as coisas não sejam bem assim, entretanto a consolidação e o tempo em que apenas um lado da história é levado ao grande público. Frida, por exemplo, hoje seria uma personalidade pelo uso eficiente das atuais redes sociais. Quem compra um dos muito livros de impressão nobre, capa dura e centenas de páginas com imagens dela, do seu dia a dia e de suas obras ficará convencido pela narrativa distorcida que a acompanha, inclusive como convém aos panfletários, como autêntica representante da arte moderna mexicana, como feminista, comunista e ultimamente bissexual. Tal como ela artistas impressionistas importantes, que hoje se sabe que o nível de impressionismo crescente em suas obras até ao final da vida, só se tornaram mais sintéticas, quase abstratas, não por um talento, exatamente por um progressivo problema de visão. 

Mas voltando, em nossa rápida reflexão, o que seria talento, como capacidade genuína de produzir algo novo, não, é algo fácil de ser encontrado, o tipo de produção artística desse nível igualmente, permanecendo para sempre, atravessando épocas muito tempo depois da do próprio artista. Que dizer de J.S. Bach, que não criou o contracanto, que, aliás já era um gênero fora de moda  e portanto ultrapassado em seu próprio tempo, usando-o com perfeição não ultrapassada em suas obras. Não sendo famoso, ou tão famoso e não tendo reconhecimento em vida e em seu próprio tempo, só é reabilitado mais de cento e cinquenta anos depois, sendo que até hoje não foi superado. Quando se fala de Bach, sua genialidade e obras são um ponto sem contestação. Todo músico, se deseja se aprofundar em música, não pode omitir Bach e suas obras. Lembrando que habilidade ou é nata ou adquirida e de um modo ou outro  tem que e deve ser desenvolvida.

Outro elemento importante é a experiência que é traduzida pela carreira. A carreira de qualquer artista, com sua produção, divulgação e o falar sobre si e sua obra é um conjunto de dados, que vistos e analisados por alguém de fora, constitui uma linha do tempo que muito pode dizer sobre a qualidade e a profundidade  de uma obra e de um pensar de um artista. A mídia moderna, como os críticos de arte, jornalistas no passado, sempre têm um papel muito importante na elevação de um artista a um status que o destaque e da sua consequente divulgação social, abrindo portas e consolidando o seu nome no conceito e análise acadêmica. 

Frequentemente se vê em todas as áreas artísticas alguém eventualmente é elevado como o maior guitarrista, maior pintor, maior solista, maior bailarino, maior caricaturista, maior compositor, etc, às vezes sendo e na maioria das vezes sem a menor e mais sólida justificativa e argumento. Vale lembrar que em muitos casos, todos os artistas com formação acadêmica semelhante, pianistas, por exemplo, naturalmente sabem a mesma coisa, e, portanto, aptos a, por exemplo, tocar as mesmas obras musicais (falando de pianistas e outros instrumentistas ). No caso de desenhos e pinturas, a diversidade de gêneros e estilos, deve ser considerado que essas diferenças naturais, impedem de uma comparação mais objetiva.

O que fazer?


Ter um olhar mais objetivo e mais livre dos interesses mais midiáticos  e das naturais não neutralidades do próprio mercado artístico, desde produção musical, galerias de arte, museus e merchante. Tem um peso às vezes nefasto e duvido, o do jornalismo de arte, sem dúvida com grande teor de contaminação, interesses e de gosto pessoal, entenda-se opinião dos que escrevem sobre arte e artistas. Finalmente vale o cuidado expresso pelo grande dramaturgo Ariano Suassuma em crítica a um outro crítico musical dizendo: "Se eu chamar o Ximbinha de gênio, que palavra devo usar para Bach?"

Há artistas verdadeiros, artistas que mereçam reconhecimento e cujas obras fazem jus a uma permanência positiva na produção social humana, influenciando também positivamente o surgimento de ovos artistas e desenvolvimento de novas linguagens artísticas bem como comprovada sensibilidade para temáticas significativas?


Sim, os há, sempre existiram e existirão mas não só não constituem a maioria dos artistas, como não sempre tratados com justiça pela mídia princialmente, bem como pela crítica acadêmica, de modo a dar-lhes a visibilidade necessária e repetindo, justa. O que mais vezes vemos prevalecer são artistas medíocres ou nem tanto artistas na melhor acepção da palavra sendo alçados à celebridades e suas pseudo obras recebendo elogios rasgados e críticas amaciadas e relativas, conforme mercado e mercadores de arte se aliem para ganharem lucros.


O que fazer ou como reagir ao cenário artístico diante de nós?


A Arte nos é exposta circunstancialmente em cada cultura, povo, nação e pais, sem ordenação efetiva ou apesar de uma ordenação oficial por meio de instituições nacionais como educação, cultura referendada, etc mas nunca será isenta de oportunismo, tendencionalismos e favorecimentos pessoais. Logo, cabe a cada pessoa, a cada um de nós, diante do conjunto de obras a que somos eventualmente expostos, termos substratos pessoais para fazer uma leitura de cada produção artística, seja em que linguagem for e selecionarmos o que realmente, sob nossa ótica e experiência valha realmente a pena. Só assim se escapa da imposição mercantilista ou movida por outro motivos estranhos.


Por Helvécio S. Pereira



Graduado pela EBA/ UFMG em Desenho, Plástica e História da Arte
Graduado pela FAE/ UEMG em Pedagogia em em matérias pedagógicas


Belo Horizonte, 25 de abril de 2024.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

O CANCIONEIRO DA INDÚSTRIA DA MÚSICA, O QUE VOCÊ NÃO SABE!


 Objetivamente a Música, como linguagem, nada é mais do que notas musicais, sons determinados, tocados junto a sons indeterminados com durações e pausas variáveis entre eles, tudo matematicamente, expressando numa fabulosa e eficiente compreensão universal emoções especificamente humanas.

Isso 'apenas parte da realidade, vejamos a parte mais popular e mais conhecida (nem tanto) mas exaustivamente consumida pelas pessoas.

O que veremos nessa postagem é que compreender o funcionamento, ou parte dele, na poderosa e eficiente indústria do entretenimento significa deixar de ser refém de algo maior que você mesmo e que compulsivamente te coloca num lugar que talvez você não queira estar ou pertencer sem liberdade.

Quantas vezes ouvimos e vemos, lemos, aplausos efusivos e elogios festejados a artistas, principalmente cantores e às vezes a algum instrumentista, todos badalados como virtuoses e totalmente fora da curva da excelência. Será verdade que são realmente o que as pessoas dizem serem? Ou será que em casos mais concretos, todos estudaram as mesmas coisas, fizeram os mesmos exercícios, têm as mesmas habilidades treinadas e seguem um protocolo para estudar cada peça musical e executá-las? Algo que em tese qualquer um com cérebro seria capaz de fazê-lo?

Primeiramente a base da linguagem musical é sempre a mesma, funcionando como um alfabeto para uma língua escrita. Com as mesmas letras podem ser escrito um espiritual poema como uma série grande de palavrões os mais chulos. Logo, com as mesmas sete notas musicais (ou doze se nos referirmos à escala diatônica) pode ser composta uma obra-prima musical ou um lixo musical que fira não só aos nossos ouvidos, mas a nossa mente. Logo, o problema não é a base teórica da música ou a própria linguagem da música mas o que todo e qualquer músico possa fazer a partir dela.

Obviamente, e também desde a música composta e executada ao vivo até o surgimento da possibilidade de gravar músicos e cantores e ouvi-los depois, inaugurou-se dessa forma uma indústria determinada em ter em estoque canções e até músicas para satisfazer um público agora imenso e crescente ansioso para ouvir cada vez mais "música" mesmo que fundamentalmente, estatisticamente sempre ou quase sempre, seja sempre o mesmo do mesmo com pequenas e sutis variações.

Os grandes proprietários e gestores da poderosa e universal indústria do entretenimento, incluindo cinema, videogames e música é a japonesa Sony. Pense e reflita se os CEOs desse grande conglomerado ouvem os artistas que são produzidos por eles e cujas canções as pessoas comuns comprem? a resposta que parece obvia é não. Não ouvem, não apreciam e nem incentivam que seus filhos e filhas as ouçam ou as idolatrem.

Como toda indústria, apesar das acusações de exploração dos sectários e fanzines do socialismo, visa o lucro para se manter, dar uma vida de excelência a seus gestores e descendentes, o que é totalmente normal, para tal ela tem que sempre produzir o que se propôs por duas razões: suprir uma necessidade ou pelo menos um desejo das pessoas e influenciar as pessoas, nos seus valores, gostos e comportamentos. Carros são produzidos para levar as pessoas de um lugar para outro mas para serem facilmente manobráveis e cada vez mais velozes. Não se fabricam carros cada vez mais lentos como no início da indústria automobilisticas embora lentos levavam as pessoas de um ponto a outro mesmo gastando bem mais tempo.

Então como essa indústria adere, cria, assimila os modismos musicais surgidos na sociedade? como essa indústria se adapta e usa o que há em uma nação, em um país, em uma região com seus aspectos culturais e sonoros peculiares?

Astutamente, já que ela mesma não cria nada, garimpa o que há na população de consumidores para qual ela produzirá, divulgará e distribuirá tal tipo de "música". Desse modo pressupostos "talentos" medidos pela escala de valores e crítica duvidosa e dá a essa população de consumidores o mais próximo do que eles aspiram sem o saber.

No início da indústria fonográfica recorreram aos prostíbulos travestidos de bares e às igrejas e de lá, oferecendo dinheiro e fama fizeram os primeiros  cantores e cantoras para o público secular. O tão badalado rock'n roll, nasceu da performance singular da "irmã Roseta" que nas campanhas evangelísticas de sua igreja tocava guitarra elétrica e cantava os tradicionais cânticos de forma diferente. Muito tempo depois encontraram um jovem branco tão pobre quanto a maioria dos negros de sua região mas que curiosamente "cantava como um 'negro', ninguém menos que o grande ( grande barítono )  Elvis Presley.

Desse modo, tal fenômeno ou estratégia bem malandra foi e é reproduzida hoje, alavancada por empresários garimpadores de "novos talentos" tanto alavancados por concursos de cantores, lá atrás através do rádio e depois e hoje por grandes programas de concursos musicais nas tvs em todo o mundo, produzidos no mesmo esquema de país para país, variando apenas na exigência musical, geralmente gente bonita e vozes afinadas.

No Ocidente cristão e protestante, mas não só, temos mais recentemente a nomeada comercialmente "música gospel" que nem sempre e na maioria das vezes corresponde fiel, rítmica e harmoniosamente ao gênero gospel de fato, No Brasil é particularmente o segundo grande mercado, perdendo surpreendentemente apenas para o gênero neo-sertanejo.  

Desse modo por mais autruístas e espirituais, sinceros que os cantores e compositores "gospels" queiram se reconhecer ( e apesar do bem que esse tipo de repertório e temática não-laica realmente impacte positivamente as pessoas ) são tanto quanto os seculares e mundanos, pedras do mesmo tabuleiro, farinhas do mesmo saco. 

Diferentemente das grandes e ternas canções cristãs que foram compostas, divulgadas e se eternizaram sem nenhum esforço ou articulação mercadológica como "Castelo Forte" de Martinho Lutero ou "Amazing Grace" de John Newton, todas as composições de hoje seguem o esquema e o tipo de composição mercadológica.

Mas agora que vemos além da caixinha, saímos da bolha e vemos as coisas como elas são e a realidade não é nem de perto romântica como passam para nós (romântica no sentido lato de serem idealizadas ) o que fazer? não ouvir nenhuma música, nenhuma canção, nada?

As possibilidades estão no mundo para todos os propósitos: a mesma arma que pode ser meio de um crime pode ser a mesma que evite o crime e rechace o criminoso em potencial. Assim é a música ou mais exatamente a linguagem da música: se pode dizer ou expressar o que desejar! pode haver beleza, complexidade, originalidade, ser uma obra-prima ou algo absolutamente e indesculpavelmente medíocre, como na maioria dos casos acontece. Vem aí outro dilema: que valor há em ser sábio ao invés de néscio ou idiota se ambos morrem do mesmo modo? uma pergunta bíblica em um dos livros do grande Salomão.

Finalmente é indesculpável e não falseável que coisas boas produzem bem-estar real, verdadeiros e coisas ruins embora no deem uma sensação festiva sejam seus resultados nefastos ao final.


Por Helvécio S. Pereira

Graduado pela EBA/ UFMG em Desenho, Plástica e História da Arte
Graduado pela FAE/ UEMG em Pedagogia em em matérias pedagógicas



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