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quarta-feira, 29 de maio de 2024

PARA QUE E PORQUE A ARTE


Voltando ao assunto CULTURA, ARTE ou FRESCURA e já respondendo as
possíveis e diversas indagações a respeito, desfrutar do acesso à Arte não é de
modo algum uma frescura, um penduricalho cultural e sim uma ótima oportunidade
para o crescimento da alma que é confrontada com experiências humanas
complexas. É viver experiências que ainda não são suas, mas que podem ser.

Um exemplo prático é de alguém que assista um filme comercial e divertido, de
tema recorrente, mas que subjacentemente aborda uma experiência humana que
alguns de nós possamos um dia vivenciar e que muitos já a vivenciam:

No filme A Guerra dos Mundos um casal tem que dividir as responsabilidades
naturais e diárias de dividir os filhos adolescentes e colocar a prova o cuidado por
eles. Além disso, a personagem do pai das crianças tem que se relacionar, conversar,
ver a ex-esposa grávida do seu novo relacionamento. Que desafios!somente uma mente
madura e bem estruturada poderia responder bem a essas questões.


Você pode então dizer: E daí? Longe do contato com a Arte, sem saber
relacionar-se com ela, quantos "machões" não saberiam o que fazer numa situação dessas (ter a atitude mais correta, óbvio). Quantos não estão por aí atirando crianças pelas janelas, matando suas
ex-namoradas, ex-amantes, ex-esposas e até suas “ex-ficantes"?

Frescura é dizer que gosta da arte pela arte ou apenas para que os
outros pensem que você tem um "verniz" cultural (como se isso fosse o importante nessa
questão!). Artistas de verdade falam do ser humano através das suas obras.O seu trabalho
espelha o que somos,o que podemos nos tornar e aponta para outras possibilidades. Nos
dão escolhas do que SENTIR, PENSAR e ACREDITA.

Por Helvécio S. Pereira

Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG

e em pedagogia pela FAE/UEMG

Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte, Minas Gerais e ex-formador  da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.

Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

OS GÊNEROS MUSICAIS, O QUE SÃO? POR QUE EXISTEM E POR QUE FORAM CRIADOS?




OS GÊNEROS MUSICAIS E VOCÊ ( parte 2 )



Tá, os gêneros musicais constituem um tipo de informação que a pessoa pode ter, pode não ter conhecimento dela, pode saber e não julgar importante ou ao contrario: saber, ter conhecimento e julgar muito importante. Mas e depois, que implicações diretas tem saber essas coisas e em que esses gêneros musicais influenciam você ou eu? Sabemos que podem e influenciam toda uma geração em um país, em uma nação ou em várias delas.

Comecemos, no modo em que podemos diferenciar um gênero musical de um outro gênero musical, como podemos distinguí-los. Há alguns elementos a serem observados que nos ajudam a separar uns de outros:


A forma como, por exemplo uma bateria é tocada, ou mais suave ou mais agressiva, como entre o pop e o pop-rock, por exemplo.

A forma como alguns instrumentos de cordas são tocados, de forma acústica ou com distorção.


A forma como são os vocais, solos, se são vocais gritados, roucos ou melódicos e suaves.


Os temas, que assuntos são normalmente abordados e os que são desprezados e quase proibidos de fazem parte das canções.


O vocabulário usado, que palavras mesmo da língua pátria dos compositores, são usados como por um grupo, um gueto, o uso de gírias ou de bordões, tanto nas canções como na comunicação normal entre artistas e fãs, entre os músicos, cantores e o seu público.

Como exemplos podemos observar, o pop e o pop-rock, ambos tem uma designação de serem pop, mas há sutis diferenças entre ambos:

No vocal o pop é mais, digamos, limpo, enquanto no pop-rock é ligeiramente mais rasgado;


Na bateria o rock usa apenas a bateira tradicional do rock, enquanto no pop-rock pode ser adicionadas baterias eletrônicas ou até essas podem ser substitutas da bateria acústica;


As guitarras no pop-rock são mais raizes, com timbres já tradicionais do rock, enquanto no pop podem ser modificadas, sintetizadas, etc. O mesmo acontece com o contrabaixo, no pop-rock mais próximo do rock tradicional enquanto no pop pode ser totalmente sintetizado.

As letras e temas podem ser mais rebeldes no rock e levadas mais a sério, dramatizadas que no pop.



Essas observações e esses detalhe podem ser observados como critério em todos os demais gêneros e estilos musicais, servindo para registro e descrição de cada gênero nas suas respectivas diferenças de uns para outros. Ou seja> conhecer e entender as filigranas dos gêneros musicais, além dos elementos fundamentai da música, as famílias fundamentais dos instrumentos musicais e sua função na música não são informações a serem razoavelmente desprezáveis. Não se compreende a música e não se escolhe inteligentemente o que ouvir em música, sem essa base rigorosamente obrigatória. Sem essa apreensão se tem compradores de gadgets de som, ouvintes de barulhos, como alguém que ouve mandarim e não entende uma articulação linguística. É rigorosamente posar de bobo e pagar mico, e milhões o fazem diariamente. O choro é livre se você não gostou!

Outro exemplo bastante esclarecedor é entre o Samba e a Bossa Nova que é um samba. O primeiro é cantado bem alto, para ser ouvido a distância e os instrumentos todos tocados como muita energia e volume, aparentando que cada um deve ser ouvido e notado tanto quantos os outros. Já na Bossa Nova, o vocal é quase as vezes sussurrado e o violão e todos os instrumentos são tocados com bastante economia sonora. Os temas, ou assunto das canções ou do cancioneiro de cada um , diferem grandemente. O samba é mais individual e masculinamente machista enquanto a bossa nova é decididamente mais universal.


Ainda sobre os temas ( assuntos das canções ou das músicas ) das diferentes composições de cada gênero musical, alguns gêneros musicais têm temas mais universais, como o rock, por exemplo. Temas mais universais e que fazem parte das experiências das mais diferentes pessoas em todos ou na maior parte das pessoas do mundo.

Já o samba, prioriza a experiência pessoal dos interpretes ou dos cantores, em detrimento das experiências universais, das experiências dos outros. O funk , o Rap, o Hip-hop por exemplo, se ocupam com as relações sociais, entre classes sociais, entre ricos e pobres, pretos e brancos, etc. A experiência individual é considerada em segundo plano, em detrimento dos protestos e análises sociais.

Não por último pois outras classificações podem ser criadas e outros elementos analíticos e descritivos podem ser analisados, a relação entre gênero musical, etnia e classe social. Se é verdade que na maioria dos casos, os gêneros musicais nascem em um gueto cultural, econômico e social, com o tempo vazam e de estranhos passam a ser queridos, por várias camadas econômicas, etnicas e sociais diferentes. A canção caipira ou sertaneja, é tão querida pela camada social, de trabalhadores e pessoas de cultura simples como pelo latifundiário dono de cabeças de gado ou de potros que por unidade, valem mais que apartamentos de cobertura em áreas nobres de muitas cidades. O jazz, nascido em regiões predominante negras de New Orleans, não aceito inicialmente em solo norte-americano, após ser mostrado na França e adorado pelos críticos musicais europeus, retorna aos EUA e ganha o mundo com status de música erudita e assim permanece até hoje, inerredável e definito nessa posição de música e músico de excelência.



Outro exemplo é a nossa Bossa nova, que influenciada pelo jazz que acaba influenciando muito mais do que influenciada, fruto na original evolução do samba brasileiro, apenas mais intimista e de poesia singela e rebuscada, sem pretensão de interpretação de vozes vigorosas, sem improvisos com arroubos de virtuosismo e exibicionismo, ganha o mundo, atravessa barreiras étnicas, sociais, culturais e ganha desde europeus a asiáticos e assim permanece como música de excelência, mesmo sem continuidade de compositores e de composições. Aliás ninguém conseguiu compôs alguma bossa nova tão boa como as conhecidas e clássicas. É como repetir Bach ou Beethoven, ou Mozart, ou Listz, Tchaikovsk ou ainda Rachmaninoff... todos únicos.

Por Helvécio S. Pereira

Graduado em Desenho, Plástica e História da Arte pela EBA/UFMG
Graduado em Pedagogia pela FAE/UEMG
Professor de Desenho Geométrico, Educação Artística e Artes
Músico amador/ educador musical
Fotógrafo
Blogueiro
Divulgador do sistema operacional Linux, tendo feito parte da equipe que implantou o Linux na rede de educação da PBH/ MG

Belo Horizonte 28.05.2024

quarta-feira, 22 de maio de 2024

COMPOSIÇÃO MUSICAL... COMO FAZÊ-LA

 



 Como surge a música, como ela se origina?

Poucas pessoas param para pensar seriamente sobre esse fenômeno. Primeiramente a música só existe na experiência humana porque simplesmente somos programados biologicamente para gostarmos de música. Uma girafa pode ouvir uma peça musical mas é quase improvável que se interesse em ouvi-la ou que se emocione de alguma forma com ela. Da mesma maneira um chimpanzé. Menos ainda uma serpente ou uma abelha mesmo porque são ambas surdas ( e não são as únicas ).

Se somos biologicamente capazes de ouvir música podemos e fizemos isso bem no início da nossa história humana, de criarmos algum tipo de música. A primeira certamente a ser produzida, composta, foi certamente uma música intuitiva ou primitiva. Com a sistematização a partir de criação de sistemas musicais com regras pré definidas, pudemos compor músicas mais dentro de determinados padrões, o que fazemos até hoje, com maior ou menor sofisticação mas sempre seguindo um dodo de fazer, uma receita de bolo.

Claro, se antes a composição era esporádica, movida por razões místicas ou festivas, resultado de bebedeiras, ocasiões marcantes como nascimentos, coroação, vitórias em guerras, casamentos e mortes bem como em ritos religiosos, com o advento da indústria da música, ela passa ser uma necessidade para suprir um demanda de pessoas que compram aparelhos de som e outros apetrechos para ouvir  música.

Desse modo a composição musical para a indústria do entretenimento ( incluindo cinema, games, propaganda, tv ) é sempre intencional e dirigida a um público consumidor. Entretanto em todas as situações há uma intenção e know how, algo como fazer a música.

Logo a pessoa, a figura de um compositor não só é essencial, necessária, mas sem ele nenhuma  peça musical, nenhuma obra musical, da ruim a de excelência, da simplória a sofisticada existiria.

Mas como uma musica nasce na mente de um compositor?

Não há uma conclusão final, uma explicação definitiva que explique todas as situações de composição e de criação musical, o que se aceita com certa unanimidade é que há um componente de intuição. O que seria essa intuição, esse fator que dá partida a criatividade? ninguém com certeza sabe! mas é esse componente misterioso que da origem a tudo.

Essa intuição pode ser uma palavra, um assunto, uma situação, algo simples ou ate algo contrariamente bastante sofisticado como uma jogada em um jogo de tabuleiro, não importa, ela existe e real, acontece.

Entretanto se apenas o compostor compor e não registrar, não anotar ou como antes ocorria não ensinar outra pessoa a cantar ou tocar a sua peça musical, ela desaparece naturalmente, deixa de existir logo aos criada.

Entra aí uma segunda personagem, uma segunda pessoa, tão importante quanto quem a compôs, a figra do INTÉRPRETE.

O intérprete não é somente que canta uma canção ou toca um instrumento musical, faz mais do que isso, ele dá vida e alma nova a composição feita por outra pessoa, por outro compositor.  Há poucos casos em que o autor/ compositor é também o intérprete, algo muito comum na música popular e no passado na música erudita, em que os autores/compositores tocavam, executavam publicamente as suas próprias composições.

Um intérprete assemelha-se a um ator, ao cantar ou tocar uma peça musical, deve e revive as emoções ( as vezes recria ) as  mesmas emoções do autor compor uma obra musical. Logo o papel de um intérprete, seja cantando ou executando uma peça musical totalmente instrumental é fundamental no caminho da obra musical após a sua composição.

Entretanto o processo não pára aí. Se parasse nesse ponto todo o processo, o caminho da música, da obra musical chegar até nós ouvintes não se completaria.

Ao final e início dos séculos XIX e XX os processos de registros sonoros possibilitaram a criação de um novo produto, novo no cenário humano-social e tecnológico: a venda do que fora gravado a um público que o compraria. Surge então a poderosa e praticamente mundial indústria fonográfica com todos os seus braços e ferramentas, estratégias que vão desde a produção à distribuição das obras sonoras.

Logo, o caminho que temos, em que a composição musical contemporânea percorre é:


COMPOSIÇÃO >  INTERPRETAÇÃO > PRODUÇÃO 


A maioria das pessoas imaginam que os artistas que possuem e atraem visibilidade são não só eventualmente autores de suas "músicas" mas aqueles que criam e cuidam de todos os detalhes de uma pressuposta composição musical, o que não é definitivamente a verdade máxima. Uma produção musical moderna não é obra de uma única pessoa mas de um conjunto de profissionais tecnicamente especializados, cada um em sua área dentro da produção musical, o que hoje é um trabalho totalmente colaborativo.

Que pessoas fazem parte e são os profissionais necessários e capacitados tecnicamente para a produção musical moderna?

Arranjadores

Instrumentistas ( cada um em seu instrumento musical específico )

Solistas ( contratados para compor um riff, um solo numa transição da canção, como uma ponte, introdução, etc )

Back vocals ( coro ) para cantarem junto ao cantor ou ao fundo de uma peça musical mesmo instrumental.

Engenheiros de som ( responsáveis pela captação de som tanto ao vivo como em estúdios )

Editores de som ( após todo o material gravado edita, apaga, realça, mixa o material gravado dando a forma final e tradicional de uma canção ou peça musical para ser ouvida em diferentes tecnologias seja, vinil (  que está voltando, CD, mp3, ogg, wav, dat  etc )

Artistas gráficos /fotógrafos profissionais que preparam visualmente a obra musical fazendo capas, cartazes, material gráfico para divulgação em geral.

Produtores e editores de vídeo
para criação de vídeo clips, um recurso moderno para agregar a canções uma segunda mensagem e que se tornou tão ou mais importante para divulgação de músicos e cantores.

Distribuidores que farão com que a obra musical, música ou canção, chegue as diversas mídias: rádio, tv, web etc





Por Helvécio S. Pereira

Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG

e em pedagogia pela FAE/UEMG

Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte Minas Gerais e ex-formador  da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.

Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

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