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sexta-feira, 11 de março de 2011

ATUALIZADO! COM SENSACIONAIS COVERS DO TEMA "TIME" E MAIS: ENTENDA " A ORIGEM" PREMIADO NO OSCAR DESSE ANO



A Origem: Reflexões pós Oscar por 

Tuna Dwek

Embora Christopher Nolan não tenha sido indicado como melhor diretor no Oscar, seu filme A Origem acabou levando alguns prêmios importantes e merecidos. Os de Efeitos Especiais, Fotografia, Mixagem e Edição de Som. Aproveitando a oportunidade, minha amiga jornalista e atriz Tuna Dwek me enviou algumas reflexões que publico aqui:
Intenso, instigante e perturbador: A Origem
Desde seus primórdios, o  homem tem anseios ambiciosos. Nutre ambições por vezes desmedidas e sem proporções na realidade. Voar, foi provado pelas asas de Ícaro, derretidas pelo sol, tornou-se possível somente graças ao avanço tecnológico. Dentre suas aspirações certamente se encontra o desejo secreto de penetrar na mente humana e decifrar seus mistérios. Ou até criar sonhos compartilhados como proposto em A Origem, de Christopher Nolan.
Em Viagem Fantástica, clássico de ficção científica dirigido por Richard Fleischer no final dos anos 60, um grupo de médicos e cientistas transformados em miniaturas penetravam no corpo de um homem, no intuito de, ao chegar ao cérebro, curá-lo de um câncer. Os efeitos especiais e o que se vê no interior do corpo humano foram suficientes para despertar o imaginário cinematográfico de modo marcante.
Em A Origem, trata-se  de  ter o acesso da mente do outro através do sonho. Vulneráveis quando dormimos e sonhamos, não se sabe onde começa o inconsciente, ou seja,  a origem dos sonhos. Em se tratando de espionagem, essa capacidade (perigosa) pode ser extremamente útil para que serviços de inteligência exerçam seu poder de controle e de negociação. Don Cobb (Leonardo DiCaprio, convincente e eficaz), ladrão de segredos durante o sono,  tem por missão, não mais roubar segredos do inconsciente, mas  incutir uma ideia na mente do adversário.
Com a ajuda de uma sagaz arquiteta (Ellen Page) de emblemático nome de Ariadne (personagem da mitologia grega que fugiu do labirinto do  minotauro com o auxílio de um fio que a impedia de se perder), Cobb inicia sua  perseguição ao  sonhador em questão, sua vítima, o carismático Cillian Murphy, a mando de Ken Watanabe. A fim de readquirir a tranquilidade de uma vida cotidiana com sua família, a despeito da ausência da mulher amada, Cobb não mede esforços e consequências para realizar seu objetivo.
Diretor de Amnésia, Nolan se debruça mais uma vez sobre o tema da memória, explorando a seletividade da mesma para a proteção do indivíduo através das artimanhas do inconsciente  e a fim de amenizar a dor  provocada pela perda de entes queridos. Neste contexto, Cobb exerce sua função submerso pela lembrança da mulher amada (Marion Cotillard, reluzente), e a incapacidade de se adequar as necessidades de filhos pequenos, estes sempre de costas para o pai durante a execução de sua missão.
Diz ele em determinado momento que “os sonhos são reais quando acreditamos neles” e assim é possível ver uma cidade como Paris explodindo ao redor enquanto os protagonistas permanecem ilesos. A recriação de Paris através do sonho de Ariadne constitui um dos momentos de maior impacto na obra de Nolan e a cada segmento do filme tem-se a percepção das camadas sobre as quais se molda o filme,  do sonho dentro do sonho dentro do sonho, em três níveis, possíveis de serem dissecados.
A Origem exige fascinante esforço de concentração do espectador. Os efeitos visuais e as sequências de ação não fazem esmorecer o conteúdo dramático do filme. Em sua tentativa e desejo de recuperar o passado, Cobb  repensa sua vida de fugitivo, torna manifesto seu amor incubado por Mal, sua mulher, passando pela culpa do sobrevivente e decide retomar a serenidade perdida em sua vida encerrando uma trajetória de fugitivo internacional.
Se nessa arquitetura da mente, quanto maior o problema, maior a catarse, Cobb tem em sua saga a oportunidade de se libertar da dor que lhe assombra a alma. Nas imagens recorrentes de sua vida pregressa, não raro o espectador poderá flagar-se vertendo lágrimas à sua revelia. A Origem vai além do filme de ação, aprofunda  a questão que traz os assuntos mais íntimos ao âmbito dos sonhos, transita pelo amor, pela culpa e pelo desejo de paz interior que iguala os seres.
Evitando limitar-se ao gênero do filme  de espionagem, A Origemobtém um sólido equilíbrio entre o entretenimento, a reflexão, a arte, a sedução de um eficiente roteiro, cenários de rara beleza e conteúdo dramático.
Na belíssima trilha sonora de Hans Zimmer, uma pequena ironia. A música Non, je regrette rien cantada por Edith Piaf (que já foi interpretada por Marion Cotillard no cinema, rendendo-lhe o Oscar de melhor atriz) diz “non, rien de rien, non, je ne regrette rien. Ni le bien qu´on m´a fait, ni le mal tout cela m´est bien égal”, ou seja, não lamento nada, nem o bem que me fizeram, nem o mal, para mim, tanto faz.
Roteiro, elenco, direção e equipe técnica compõem um conjunto extremamente afinado na partitura composta por Nolan e não se pode deixar de destacar a participação sempre inspirada e de grande inteligência cênica de Sir Michael Caine.
Christopher Nolan levou quase uma década para que maturasse sua sensibilidade e seu sonho e pudesse oferecer um dos grandes filmes do ano. Um filme para se ver e rever. A primeira vez traz o impacto, a segunda  permite o aprofundamento e maior atenção a detalhes  e a terceira por puro deleite. E como dizia o dramaturgo espanhol Calderon de La Barca, "se toda vida é sonho, os sonhos sonhos são”.
A Origem (Inception - EUA/Reino Unido - 2010 - 142’) Direção: Christopher Nolan. Com: Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon - Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, CillianMurphy, Tom Berenger, Michael Caine e Lukas Haas, entre outros.
Fonte: Portal R7.com

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