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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O RETRATO, A RTE DE REGISTRAR A SI MESMO E PARA A POSTERIDADE

O escritor irlandês Oscar Wilde

Inicialmente, devemos convidá-lo a fazer uma reflexão óbvia mas que milhões de pessoas no mundo nunca a fazem: que ver o nosso próprio rosto, termos uma abundância de imagens nossas registradas nas mais variadas situações, em fotos, em vídeos e quase tão imediatamente ao serem clicadas através de smartphones, tablets, e câmeras de todo o tipo, praticamente de graça, o que não ocorria até a pouco tempo com a compra de filmes e reveção de fotos através de câmaras analógicas.

Toda essa facilidade é praticamente um luxo democraticamente, no sentido de popularmente, acessível, somente no século XX, já que estamos a pouquíssimos anos imersos no século XXI. A fotografia inventada em pouco antes dos meados de século XIX, e o cimema ao final do mesmo século, foram recursos de registro de imagens bastante recentes. 

Da chamada e imaginada pré-história, registro de situações comuns se davam por desenhos e tempos depois por pequenas imagem modelas em argilas. Quando nossos antepassados dominaram a escultura em rochas, figuras imaginárias, mitológicas para nós e líderes célebres, tiveram suas imagens não tão realistas mas bastante econômicas nos detalhes, em madeira, pedra e finalmente em metais como bronze e ferro. O auge do retrato foi, sem dúvida, pelo pretendido realismo em esculturas, um tipo de retrato em três dimensões. O desenho e a pintura, não acompanhavam no mesmo nível o realismo das esculturas.

Porém antes da própria fotografia, que herdara vagarosamente o olhar e a percepção tanto do desenho como da pintura, o próprio desenho e a própria pintura desenvolver um nivel de detalhes e exatidão realista. Logo, enquadramentos, como fotografar uma paisagem, objetos, e pessoas vêm de uma tradição determinada pela pintura que herdou das esculturas uma certa teatralidade, como posicionar a pessoa retratada como se ela estivesse permanente viva.

Por que nos retratamos, retratamos as outras pessoas, e nos deixamos retratar?

Primeiramente, já que mencionamos a popularização ou a democratizção das iamgens, fotografadas e animadas como nos vídeo, ter um retrato de si mesmo, foi durante milênios, com as técnicas e artistas disponíveis, um verdadeiro privilégio de reis, sacerdotes religiosos, militares como grandes generais e pessoas bastante notáveis em seu tempo, ou por uma riqueza ou por um poder.

A Mona Lisa, ou a Senhora Lisa, foi um retrato encomendado pelo seu rico e poderoso marido, um importante comerciante de Veneza a sua jovem esposa, à época com quinze ou deessete anos. Um retrato encomendado a um dos dois maiores gênios artísticos de sua época, há mais de quinhentos anos, Leonardo da Vinci. Leonardo, ocupado com incontáveis projetos, junto com a genialidade não tinha muita organização. Gastou quatro longos anos para terminar o retrato. Claro que o comprador e a sua esposa jamis viram o retrato pronto, pois com raiva o marido desistiu do presente a sua amada esposa. Foi um presente tão precioso, um verdadeiro privilégio dificilmente igualado a não ser por um grupo seleto de ricos e poderosos, como bispos, cardeais, papas e todo tipo de pessoas realmente poderosas.

                                             A senhora Lisa, pintada pelo grande Loinardo da Vinci

O objetivo inconsciente, alcançado pelas possibilidades de cada época era o mesmo dos dias de hoje: o fato de sabermos que morremos, uma maneira prática, objetiva de eternizar a memória, o poder, as realizações e talvez a melhor fase de suas próprias vidas. Quando tiramos incotáveis fotos em incontáveis situações e as publicamos em redes sociais hoje, estamos gritando as outras pessoas: "estamos aqui!", "vivi nesse mundo um dia!"

Comparadamente, embora a nossa tecnologia e facilidade que temos hoje, a rapidez com que conseguimos uma imagem tanto nossas como de outras pessoas, não muda as razões pelas quais agimos assim. A nossa tecnologia embora seja melhor em termos de realismo pode desaparecer por um simples colapso tecnológico, e não restar nada para uqe alguém futuramente veja. Quanatos de nós perdemos fotos, por estravio, degradação como mofo, manchas, deteriorização do papel ou do filme, mesmo por defeito em algum Hd, Ssd, pen drive, etc? As imagens de nossos antepassados como o retrato da Mona Lisa e de muitos outros personagens, guardados em museus estão intactos há séculos.

                                          Um dos auto retratos do pintor Vicent Van Gogh


A segunda importância do retrato humano, da prática em fazê-lo ou em observá-los mais atentamente se encontra no fato de reconhecermos em detalhes, diferenças sutis bem como semelhanças sutis no rosto de incontáveis pessoas. Passamos toda a nossa vida, tal quai nossos antepassados, vendo, observando as outras pessoas. Percebemos mais coisas nos outros do que em nós mesmos. A maioria  de nós, execetuando artistas especializados em retratos, não consegue descrever com palavras, como em um retrato falado, e muito menos produzirmos um autoretrato de nós mesmos.

Uma questão a ser lembrada: nos conhecemos mesmo com tantos recursos disponíveis hoje? Gostamos de quem fisicamente somos? Recentemente um aluno confessou que não gosta de si mesmo, no que se refere a aparência. Pergutei-lhe o porquê, ele preferiu não dizer. Trata-se dos incontáveis casos, bastante humanos, embora de um prejuízo enorme, de pessoas que por não conhecerem a si mesmas, não aceitam a singualidade de sua aparência, não comprendem a sua múltipla ancestralidade. É exatamente por isso que nos debruçamos sobre esse tema, usando-o como meio de superação desse tipo de problema. 

Hoje, também por razões óbvias, o número de cirurgias de todo tipo, desde simples harmonizações faciais a outras mais invasivas como a retirada de um a dois pares de costelas, medicamentos para aumento de múculos, clareamento de pele, implantes capilares, ronoplastias desnecessárias, etc, têm na imensa maioria dos casos um esforço desnecesário e pouco justificável de alterar a própria aparência, por simplesmente não gostar dela ou não a conhecer em detalhes para naturalmente aceitá-la. Nesse percurso, não poucos jovens adultos têm perdido as suas vidas ainda com prognósticos de muito mais anos a serem ainda vividos e com saúde. Iludidos pela mídia, convencidos pela pressão estética social, têm pagos por uma morte totalmente desnecessária e evitável. Afinal, o que importa acima de qualquer outra coisa é a própria vida, em último lugar pode vir o caso de uma correção estética sem risco e comprensívelmente aceita.

                                         Um outro auto retrato do pintor Vicent Van Gogh


Logo, na história humana, o desejo inconsciente de se perpetuar, ou pelo menos perpetuar a sua memória e apreensão, a compreensão do que somos na nossa aparênncia singular, como indivíduos, que diferente das outras milhares de espéceis no planeta, onde animais, aves, insetos de uma espécie são todos bastante parecidos, nós seres humanos somos ao mesmo tempo iguais em detalhes e diferentes em outros poucos detalhes. O não reconhecimento desse fato dá origem a imaginárias justificativas, muitas vezes insanas que separam grupos humanos de grupos humanos, geram pesudojustfucadas intolerâncias, baseadas em diferenças relativas. Agrupar seres humanos em tipos por características eleitas tendenciosamente é o mesmo que separar grupos "diferentes" entre si. Esse tem sido um erro crasso e recorrente em diferentes épocas, lugares, sob argumentos que não sobreviveriam a uma análise mais séria.


(***)O nome correto e original da obra de Leonardo da Vinci é Mona Lisa (ou Monna Lisa, com dois "n" em italiano), que significa "Senhora Lisa". Ela também é amplamente chamada de La Gioconda em italiano (ou A Gioconda em português), em referência ao sobrenome de seu marido. A mulher retratada é a nobre florentina Lisa Gherardini. 

Significado dos Nomes
  • Mona (ou Monna): Vem de madonna, que significa "minha senhora" ou "senhora".
  • Lisa: É o primeiro nome da modelo (Lisa Gherardini).
  • La Gioconda: Sobrenome de casada da modelo (esposa de Francesco del Giocondo) e um trocadilho com o sentido de "jocosa" ou "alegre".https://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa


Por Helvécio S. Pereira




Graduado em Desenho e Plástica pela EBA/UFMG

Grauado em Pedagogia pela FAE/ UEMG

Pós graduado  em Linguística pela IPEMIG

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A ARTE COMO INSTITUIÇÃO HUMANA


Certa vez soube que um professor universitário, de uma renomada universidade federal brasileira, titular da cadeira de composição em uma Faculdade de Música, disse aos seus alunos, não apenas provocou, afirmou como máxima verdade que a Arte não poderia ser definida. Ele não só estava errado, crassamente errado como induzu aos futuros e habilidosos músicos, seus alunos,  a um erro básico: afirmar que o que supomos exsistir, e não só exista na existência humana, não possa ser definido. Tudo pode ser definido, exatmente por isso damoos nomes as coisas, as descrevemos, etc. A Arte é uma linguagem, podemos dizer que é a quarta maneira de expressarmos qualquer coisa, após a linguagem gestual, oral e escrita.


Portanto, conceitualmente a Arte, ou as Artes constituem um tipo de linguagem, bastante singular eficiente e com um conjunto gramatical tão próprio. Mas conceitos são ideias, projeções, podem nunca existir ou fucionar como teorizadas no mundo real. Céu, inferno, paraíso, reencarnação, evolução, viagens no tempo, etc. Podemos teorizar ou criar conceitos baseados em imagens que possam ser rqacionalizadas como reais ou não. Entretanto, o outro lado da moeda é exatamente qual a correspondência no mundo real. Aí nos colocamos frente a uma realidade mais crua e mais palpável, a da Arte como instituição.


A Arte como instituição, é visível, palpável e tem enderêço, local, espaço e visibilidade sociais.  Podemos ir ao seu encontro, saber onde é produzida, porque meios chega às pessoas, etc. É visível igualmente, embora ignorado pela maioria das pessoas, pelo mercado e pela crítica especialidada em Arte e pelos historiadores de Artes.


Entretanto, como a Arte se manifesta mateiralmente na sociedade? É natural a constatação da realidade da instituição educação em qualquer sociedade, pois há escolas, faculdades, universidades, seminários, etc, todos com endereço, prédios e instalações físicas  em qualquer lugar do mundo. Igrejas cristãs, templos de outras crenças também têm endereços, instalações próprias e físicas encontráveis em qualquer lugar do mundo, ou quase, menos na fanática ideologicamente Coreia do Norte. Na China comunista, onde as religiões são controladas de maniera a dizer ou pregar apenas o que o partido comunista chinês permite, há mais de 24.000 paróquias católicas foram, igrejas protestantes enormes e outras religiões. Logo até na China os templos regulamentados têm endereço fiísico e podem ser encontradas. Da mesma forma a construção fíisca de um estádio de futebol, de um ginásio poliesportivo, uma quadra de esporte em uma escola fundamental, uma ciclovia em uma média ou grande cidade. Todos esses exemplos constituem presença real dessas instituições me cada sociedade. Nos exemplos anteriores, da religião e do esporte.


Como é então, a presença institucional, real da Arte ou das Artes na sociedade?


Antes porém, lembremos o que seja uma instituição. Instituições são conjunto de regras, comportamentos, ações e tradições materializadas e universalmente aceitas socialmente. São exemplos de instituições: a educação, a religião, a política entendida como governos de todos os tipos, a segurança nacional através de exércitos ou polícias locais ou regionais, o esporte organizado, a justiça, os serviços de saúde traduzidos em hospitais  ou entidades médicas de socorro mais abrangentes como a Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras,  a  Lua crescente , as Santas Casas de Misericordia, etc. Qualquer pessoa pode desgostar, ser resistente aos méritos e as ações de cada dessas e de outras instituições reconhecidas como humanas, mas é inegável que existam em todas as sociedades, principalmente as modernas. Pois bem, a Arte ou as Artes, através de suas muitas linguagens é mais uma, e com presença real em todas as sociedades modernas. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

A SOFISTICAÇÃO ADVINDA DA EXPERIÊNCIA ARTÍSTICA IDEAL


M
eus alunos e até colegas professores, se mostram assustados como se houvessem ouvido alguma blasfêmia terrível, quando lhes digo, de chofre, que a Arte sempre se comportou e se comporta como uma grande e bem sucedida cortesã, prostituta mesmo. Basta correr os olhos sobre uma real história da arte, perceber o seu flerte com regimes políticos de todas as cores e matizes e com religiões as mais diversas. Perpasse ainda sobre as propagandas políticas em eleições modernas que recorrem a dingos, aquelas musiquinhas curtas que colam como grude em sua cabeça, mesmo que você deteste e conheça profundamente o quão desprezível seja tal candidato ou candidata.

Sim, a Arte não pode fazer que o que promete ou insinuem os artistas em um conluio espúrio e abjeto, verdadeiros beija-mãos mútuo, em defesa do que fazem e vendem , por ser o seu trabalho, renda e sobrevivência. Embora, sobrevivência não seja nem de longe s palavra exata para suas vidas cheias de luxos, privilégios, escândalos e fanfarrices. É tal ética de grupo, que quando rompida, não passa de troca de farpas menores entre alguns de si mesmos.


Apregoa-se que, a Arte ou as Artes, tenham um poder curador e transformador, capaz de tirar das ruas e dos vícios mais destruidores, pessoas que se desviaram do que consensualmente seria a normalidade. A Arte não tem esse poder, mas é conveniente que "artistas", entusiastas de arte, propalem aos quatro ventos, convençam a políticos que seu trabalho raso e imediatista possa fazer tal transformação. Se é verdade que uns ou outros mudem de vida por descobrirem e desenvolverem uma habilidade artística, não pela "arte" em si, mas por uma ocupação e novos relacionamentos, novos espaços e novo nível social, o que acontece e é legítimo como resultado de outras ocupações não artísticas.

Outro engano propalado aos ventos, é que a Arte e por consequência os artistas possuam uma sapiência, uma iluminação, uma premunição, uma especie de dom profético, além de conhecimento das coisas, da realidade. É verdade que alguns escritores, na literatura e nos poemas, produziram peças que expressam certa sapiência, trata-se de simples exceção e não regra, já que comprovadamente, noventa por cento dos artistas, fugiram da escola em algum período de suas vidas.

Há ainda uma terceira inverdade propalada é que a Arte seja a portadora da verdade, como que tudo que um artista coloca como opinião ou cosmovisão deva ser aceito como máxima. O que obviamente não é também nem de longe uma verdade. Artistas e a Arte refletem apenas opiniões, paixões, sonhos, temores e lucubrações de artistas do mais amplo leque de opiniões e sapiências. Ainda mais, porque um artista pode ser um virtuose na sua técnica, na forma como se expressa utilizando uma linguagem de sua preferência e domínio, mas não significa de novo, que o que diz seja uma verdade absoluta. Muitos exemplos reais podem se mostrados referentes a essa realidade.

Mas, afinal, se a Arte não tem esses poderes, não expressa uma verdade máxima e pior não tem compromisso com nenhuma verdade e não pode ser cobrada dela essa posição, qual é a verdadeira utilidade da Arte?

A resposta a essa importante questão, é que a Arte, ou as artes, podem proporcionar uma certa sofisticação, a quem a consome, a quem com ela tenha algum contato e quem a produz. Sempre? Não, não sempre, novamente nos confrontamos com a crua realidade. A Arte bem aprendida, bem desenvolvida, bem aprimorada, sim pode produzir esse efeito, mas muito do que é produzido nas Artes, sob aceitação acrítica, produz efeito contrário, e aí temos exemplos reais de decadência em decorrência de uma arte menor, pervertida, desvirtuada e portanto reconhecida como danosa socialmente, promotora de uma patologia social, termo técnico usado para tal.

Mas vamos ao que é positivo, a tal sofisticação. A definição de dicionário nos diz muita coisa sobre o que seja sofisticação, tanto uma sofisticação social como em objetos industrializados. Qual de nós ao comprar um bem, não observa e prefere, sob vários quesitos, o mais bonito, o mais eficiente, e por consequência, o mais caro que se possa pagar. Por que nunca ao contrário? É assim em todas as áreas da vida, normalmente se busca, se deseja, se escolhe o melhor e o pior é preterido. O mesmo acontece com relação à Arte. O contato com técnicas e obras mais complexas, inevitavelmente, devem levar ( novamente deve e há exceções ) o sujeito a elevar o seu nível de exigência, com convivência social, hábitos e desenvolvimento pessoal, mesmo que o seu lugar de nascimento, seu nível econômico e social não tenham sido originalmente tão sofisticado.

Cabe desse modo, a quem vê uma obra de arte; a quem ouve uma peça musical, a quem assiste uma peça teatral, um filme, uma ópera, um desfile alegórico, compreender, mesmo que não concorde, quais mensagens estão sendo passadas a nós, espectadores e ouvintes,

 

A Arte, desse modo é para ser entendida, em cada uma das suas mensagens e expressões individuais ou coletivas. Para isso são necessárias, informações corretas e sensibilidade corretamente desenvolvidas.

Entende-se por informações corretas, a descrição e as ligações dos elementos expressos através da linguagem artística como mídia, com meio, escolhida pelo artista. Entende-se por sensibilidade a capacidade e a habilidade de ouvir sons, atentar para falas, coreografias, cores ou sons e silêncios, no caso de uma peça musical.

De certa forma é impossível compreender corretamente uma expressão artística sem informações. Por outro lado é possível ter provocada alguma simpatia ou mesmo emoção, mesmo sem a correta compreensão do que exatamente o artista queira ou quis de certa forma dizer.

As informações corretas incluem o contexto em que a obra foi produzida e em que berço intelectual ela nasceu. Qual a cosmovisão que proporcionou tal expressão artística e que mensagem tal obra induz ao expectador, ao ouvinte, ao ser que se insere em tal espaço ( no caso da arquitetura e do urbanismo ).

A sensibilidade está mais relacionada à contemplação da obra, a curiosidade e/ou atenção que desperta no expectador. Tem a ver com a lembrança e o prazer em relembrar o que foi lido, visto ou observado meticulosamente. Há linguagens que dependem também de experiências mais sensoriais que outras, como por exemplo, contemplar uma determinada arquitetura, vendo-a de longe, é um tipo de experiência sensorial. Entretanto entrar no prédio e vivenciar a própria movimentação no seu espaço interior é outra. No caso da dança há duas possibilidades: uma é simplesmente assistir um espetáculo de dança e a outra ser um dos bailarinos. É óbvio que a segunda experiência é mais sensorial que a primeira. Isso comprova os diversos níveis de interação entre quem vê e quem vivencia a própria Arte.

 

Para que a Arte nos propicie uma SOFISTICAÇÃO desejável, é necessário que tenhamos uma abertura  para:

NOVAS INFORMAÇÕES

NOVAS EXPERIÊNCIAS

NOVOS CONHECIMENTOS

APROPRIE-SE DE NOVAS CULTURAS, NOVOS VALORES, MESCLANDO-AS COM A SUA PRÓPRIA

 

Não se trata de negar os conhecimentos e as experiências já adquiridas  mas de agrega-los ao que era da sua cultura e de seu meio naturalmente. É salutar, benéfico, se alguém tem a oportunidade e a possibilidade de se desenvolver conhecendo, no caso da Arte, uma nova linguagem, novas expressões que não pertençam e não sejam naturalmente existentes em sua própria cultura.

O contato com as várias formas de artes ou com a própria Arte em geral, e sendo corretamente iniciados nas suas linguagens, no caso da música, estudando em conservatórios ou mesmo faculdades de música, ou mesmo sendo autodidatas, propicia que pessoas se tornem pessoas decididamente mais sofisticadas. Claro que isso varia de pessoa para pessoa, sendo que esse impacto pode ser maior ou menor ou até nulo.

Essa sofisticação se traduz no conhecimento e na experiência artística individual, tornando a pessoa com maior e melhor percepção de si mesmo, da realidade, da sua relação com os outros seres humanos e com a própria vida.

Há de se lembrar  que a Arte não apela para todos os sentidos, mas particularmente para os sentidos da visão e da audição. Logo todas as artes são basicamente para serem vistas e/ ou ouvidas. Há ainda as artes que além de serem vistas como grandes esculturas que são, prédios, espaços, são vivenciadas, quando não só vemos mas adentramos a espaços ou nos movimentamos por eles. Logo as sensibilidades a serem desenvolvidas são exatamente essas, a contemplação e a habilidade de atentar saber ouvir sons, diferenciando-os e reconhecendo nas suas particularidades, como vozes, timbres, tons, modos, escalas, etc. No caso das coisas a serem vistas, os movimentos, as cores, a perspectiva, as formas, os elementos, a expressividade nos traços, nas pinceladas, na intencionalidade nas texturas.

  Belo Horizonte, 06 de março de 2026

  Helvécio S. Pereira

 

Para que a Arte nos propicie uma SOFISTICAÇÃO desejável, é necessário que tenhamos uma abertura  para:

NOVAS INFORMAÇÕES

NOVAS EXPERIÊNCIAS

NOVOS CONHECIMENTOS

APROPRIE-SE DE NOVAS CULTURAS, NOVOS VALORES, MESCLANDO-AS COM A SUA PRÓPRIA

 

Não se trata de negar os conhecimentos e as experiências já adquiridas  mas de agrega-los ao que era da sua cultura e de seu meio naturalmente. É salutar, benéfico, se alguém tem a oportunidade e a possibilidade de se desenvolver conhecendo, no caso da Arte, uma nova linguagem, novas expressões que não pertençam e não sejam naturalmente existentes em sua própria cultura.

O contato com as várias formas de artes ou com a própria Arte em geral, e sendo corretamente iniciados nas suas linguagens, no caso da música, estudando em conservatórios ou mesmo faculdades de música, ou mesmo sendo autodidatas, propicia que pessoas se tornem pessoas decididamente mais sofisticadas. Claro que isso varia de pessoa para pessoa, sendo que esse impacto pode ser maior ou menor ou até nulo.

Essa sofisticação se traduz no conhecimento e na experiência artística individual, tornando a pessoa com maior e melhor percepção de si mesmo, da realidade, da sua relação com os outros seres humanos e com a própria vida.

Há de se lembrar  que a Arte não apela para todos os sentidos, mas particularmente para os sentidos da visão e da audição. Logo todas as artes são basicamente para serem vistas e/ ou ouvidas. Há ainda as artes que além de serem vistas como grandes esculturas que são, prédios, espaços, são vivenciadas, quando não só vemos mas adentramos a espaços ou nos movimentamos por eles. Logo as sensibilidades a serem desenvolvidas são exatamente essas, a contemplação e a habilidade de atentar saber ouvir sons, diferenciando-os e reconhecendo nas suas particularidades, como vozes, timbres, tons, modos, escalas, etc. No caso das coisas a serem vistas, os movimentos, as cores, a perspectiva, as formas, os elementos, a expressividade nos traços, nas pinceladas, na intencionalidade nas texturas.

  Belo Horizonte, 06 de março de 2026

  Helvécio S. Pereira


Graduado pela EBA/ UFMG em Desenho, Plástica e História da Arte.

Graduado pela FAE/ UEMG em Pedagogia em matérias pedagógicas, pós graduado em línguística.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

O LADO OSBSCURO DA ANIMAÇÃO

 



A Animação, vista como o desejo, o sonho de ver cenas e personagens, histórias sendo materializadas e vistas como se fosse acontecimentos reais é um sonho antigo que provavelmente terá nascido com a própria espécie humana. Desde a lanterna mágica, as máquinas robóticas na antiga Grécia, até as bem sucedidas ilusão de movimento ocorridas no século XIX, culminando com a invenção oficial do Cinema, em 1898, em Paris na França, pelos irmãos Louis e Aguste Lumiere confunde-se com a própria definição de Cinema.

Como era moda dar nomes gregos a novas invenções, o cinema ( do grego: imagem em movimento ) vindo a existência graças a invenção do cinematógrafo, uma máquina capaz de registrar, gravar o movimento, além de receber esse nome tornou-se sinônimo de animação. Mas o contrário é a verdade: A animação, contém o cinema, ainda mais justificado porque simplesmente o desenho animado foi inventado primeiro, e com a invenção da fotografia em meados do século XIX, propiciou a invenção do Cinema.

Isso compreendido, o cinema é uma linguagem da Arte, fruto da Animação, que nem sempre é artística, mas utilitária, sendo uma técnica aplicada em várias áreas da comunicação humana, na maioria das vezes cm fins e aplicações longe ou nada artísticas. Para simples compreensão, além do seu largo uso no ENTRETENIMENTO,  A Animação é largamente usada na COMUNICAÇÃO,  na SINALIZAÇÃO, na PROPAGANDA, na EDUCAÇÃO, no TREINAMENTO PROFISSIONAL, na VIRTUALIZAÇÃO DE PROJETOS e ARTISTICAMENTE NO CINEMA.



Para se ter uma animação, basta ter duas imagens contrastantes ou ligeiramente diferente em alguns detalhes previamente analisados. Essas imagens trocadas em uma velocidade conveniente já produzirão a ilusão de movimento. Isso vale para as luzes de setas de um veículo, um ponto do Google Maps, na mudança de cores no semáforo, em uma apresentação de slides, ou em game de primeira geração. No placar eletrônico de um estádio, no painel com horário de voos em um aeroporto, ou na tela do caixa eletrônico, máquina de pagamentos ou na central multimídia de um carro. Em um celular inteligente, na área de trabalho de qualquer computador com seus ícones e pastas. Em relógios inteligentes cujos ponteiros não são mais reais, mas simples  animações. A animação é usada em todas as situações diárias, vinte e quatro horas por dia, em praticamente em qualquer lugar do mundo.

Um piloto de Boeing ao mudar para outro equipamento, um Airbus, não sai pilotando a sua nova aeronave. Para cada equipamento, deve antes passar por treinamento em um simulador. Mais ou menos como reaprender a dirigir um carro automático ao invés de um manual. Simuladores são usados para treinamento e aprendizado em várias áreas da atividade humana, da aviação à educação, passando pela medicina, engenharia, arquitetura, etc.

A mais rentável e, portanto, lucrativa área da enorme indústria do entretenimento, atualmente, é a produção de games. Games são desenhos animados. Segue-se a seguir a música, com as canções de cara cultura e em terceiro o Cinema. Em apenas cento e vinte sete anos, desde a sua invenção oficial através da invenção do cinema, a animação se desenvolveu de tal forna, que muitas vezes aquilo que é apenas desenho se confunde com a realidade.  Isso se aprimora com o desenvolvimento rápido e irreversível da chamada inteligência artificial, IA ou AI. Esse é basicamente o lado benéfico da invenção e da utilização da animação.


Entretanto, o lado obscuro advém da má utilização dessa invenção, que pode ser em princípio social, culturalmente social ou até individual, quando cada indivíduo, empiricamente, a usa sadiamente ou não.Os males já constatados e observados academicamente por meio de pesquisas e estatísticas é que uso acrítico de telas, alavancada por tecnologias cada vez mais aprimoradas, têm causado alguns problemas de saúde como:

— deficiências e, portanto, problemas visuais precocemente;

— problemas auditivos advindos do somatório de sons às imagens;

— problemas de falta de concentração para certas situações pelo desequilíbrio em foco em jogos e outras formas de animação que prendem a atenção dos usuários mais exagerados;

— menor gosto, pela falta de concentração, por exemplo, na leitura de textos mais extensos ou mais elaborados;

— menor ou prejudicada capacidade de comunicação social e de argumentação mais elaboorada;

— isolamento social; 

— isolamento familiar;

— falta ou perda de afinidade real com pessoas reais;

— alienação da realidade;

— incapacidade de reconhecimento de problemas ou de situações reais e, portanto, de busca e solução para as mesmas;

— incapacidade de controlar revoltas por ser contrariado ou advertido;

— depressão

— perda de interesse por coisas reais na vida.


Entretanto, mesmo para os que não chegam a esse ponto, há um perigo ou uma consequência, pode-se dizer mais nefasto e definitivo.

Já explico, ao tomarmos conhecimentos de culturas e comportamentos de povos antigos, tão humanos como nós, diferindo de nós mesmos no tempo e no espaço, julgamo-los primitivos, míticos justamente por terem comportamentos e crenças pouco ou nada racionais. Sacrifícios humanos de jovens e crianças consideradas perfeitas e mais bonitas, como de recém nascidos. Ou por acreditarem em dividades híbridas e logicamente improváveis. E não se trata apenas de povos considerados primitivos ou atrasados, grandes civilizações adiantadas para o seu próprio tempo tinham também crenças, aos nossos olhos modernos, totalmente injustificáveis. Entretanto, a animação moderna consegue produzir em pessoas de idades diferentes, status sociais diferentes, de todos os tipos de educação, a praticamente acreditarem de certa forma em personagens do cinema ou em personagens originalmente dos quadrinhos. Isso é pouco analisado, registrado estatisticamente por pesquisas. A caça aos Poquemons, do dia para a noite, se tornou um comportamento compulsivo por parte de pessoas de todas as idades e até com educação refinada, superlotando praças importantes em várias cidades do mundo.


E não é só isso, qualquer abordagem, seja histórica, seja pseudocientífica, social, psicológica, se torna imediatamente verdade para os telespectadores, no caso do cinema, por exemplo. E pior, alguns detalhes improváveis mesmo logica ou cientificamente se tornam verdade para todas essas pessoas. Dessa forma, qualquer narrativa, desde que tecnicamente bem animada, se torna psicologicamente verdade, tal qual os mitos antigos eram verdades absolutas e indiscutíveis para os nossos antepassados.

Ultimamente, só no Brasil, três ou quatro crimes hediondos, inexplicáveis ocorreram em que adolescentes, assassinaram premeditadamente e com crueldade irrazoável a seus pais e outros membros da família. Tais crimes não ocorreriam se não existissem os vídeo games, e a tecnologia de animação hoje existentes. Logo, não há dúvida sobre a correlação da animação e seu mau uso. Isso deveria ser discutido por toda a sociedade, em especial na academia, por sua capacidade de conceituação e organização dos dados observados. Afinal, tecnologia sem ética sempre tem se mostrado benéfica, mas também terrivelmente maléfica ao longo da história humana. Não basta uma proibição acrítica e superficial. Deve-se separar o bom uso do mau uso, isso em todas as áreas da ação humana, não só nas coisas consideradas sérias, mas também e principalmente naquilo que se considera, a priori, um simples entretenimento.

Temos, portanto, em circunstâncias diferentes, uma multidão que não raciocina logicamente, mas cujos valores e comportamentos serão guiados por mensagens e comportamentos tão condicionados como foram os ditados por lendas e mitos no passado distante. Como surgiam as lendas e os mitos no passado? Da mesma forma como surgem, se desenvolve e se confirmam hoje as lendas urbanas ou as narrativas sobre "santos" hoje. Fora do campo religioso, mediado e difundido pelas artes, o fenômeno é o mesmo. Mediados pela tecnologia cada vez mais desenvolvida, personagens, teses, e exercícios de futurologia passam a ser cridos, tanto como as crenças pagãs do passado distante.

Um exemplo factual é, por exemplo, o fenômeno mais ou menos recente, da caçada a pokemons *, que mobilizou em grandes cidades do mundo, multidões de crianças a adultos, correndo de um lado para outro em praças, ruas, caçando essas personagens virtuais como se fossem reais.

( * ) A origem de Pokémon está na infância de Satoshi Tajiri, que colecionava insetos e se inspirou nisso para criar um videogame onde criaturas colecionáveis pudessem ser capturadas, trocadas e batalhadasO projeto, originalmente chamado de "Capsule Monsters", evoluiu para os jogos Pokémon Red e Green, lançados no Japão em 1996. A franquia se expandiu para o mercado internacional, tornando-se um fenômeno mundial com o anime, cartas, brinquedos e outros produtos. 

  • Criação do conceito: 
    A ideia surgiu da paixão de Satoshi Tajiri por colecionar insetos em sua infância em Tóquio. Ele quis recriar essa experiência em um videogame, onde os jogadores pudessem capturar e colecionar criaturas únicas. 
  • Inspiração: 
    A série de TV Ultra Seven também foi uma influência, com a ideia de criaturas que viviam em esferas. Inicialmente, o projeto foi rejeitado pela Nintendo, mas ganhou apoio de Shigeru Miyamoto, levando ao desenvolvimento de Pocket Monsters. 
  • Desenvolvimento: 
    O projeto original, Capsule Monsters, foi rejeitado inicialmente. Com o apoio de Shigeru Miyamoto, o conceito foi refeito e se tornou Pocket Monsters, que se transformaria em Pokémon. 
  • Lançamento: 
    Os primeiros jogos, Pokémon Red e Green, foram lançados no Japão em 1996. O desenvolvimento para o Game Boy levou seis anos. 
  • Expansão da marca: 
    O sucesso dos jogos impulsionou o lançamento de produtos relacionados, como o Trading Card Game e o anime, que contribuíram para a popularidade da marca mundialmente.
  • Esse, entretanto, trata-se apenas de um dos muito exemplos aventáveis e reais. O uso da tecnologia, torna as pessoas demasiadamente crédulas, e o uso por uso, torna-as, simplesmente, escravas da portabilidade e do uso irracional da mesma tecnologia.


  • Os efeitos podem até ser questionados, mas certamente não são os mais salutares. Além de uma alienação da realidade, o vício em telas e um entretenimento que muitas vezes se encontra em uma faixa etária não correspondente, acrescente-se a isso um considerável prejuízo no desenvolvimento infantil, prcipalmente por uma ocupação indevida do tempo, prejudicando momentos destinados à alimentação, descanço, estudo e convivência familiar ou social.

    Claro, que a Animação, marcada pela inauguração do cinema há cento e vinte sete anos, trouxe um enorme progresso e contribução contínua em praticamente todas as áreas do desenvolvimento humano, agilizando e facilitando a comrpeensão de vários procedimentos, desenvolvimento facilitado de projetos de todos os tipos, mas no que cencerne ao entretenimento, muitas situações devem ser seriamente questionados. Infelizmente, o entretenimento além de ser rapidamente aceito pelas pessoas, a venda de produtos ligados aos games e a personagens é que muitas vezes financia os desenvolvimentos tecnológicos.
  • De uma forma ou de outra, a Animação, como linguagem é bastante eficiente em suas incoontáveis aplicações. A razão é simples: como seres curiosos, as imagens ou mais exatamente a ilusão da imagem em movimento acrescida de sons e música que sempre a acompanha tem enorme e crescente impacto e esppaço na complexa coomunicação humana.

    • Por Helvécio Santos

    • Graduado em Desenho e Artes Plasticas ( EBA/UFMG )
    • Graduado em Pedagoogia ( FAE /UEMG )
    • Pós graduado em Linguística ( Fac Batista )
    • Professor de Artes,compositor, pintor, desenhistas, blogueiro,ilustrador e escritor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

O IMPACTO REAL DA ARTE ATUAL NAS PESSOAS HOJE

 


A INFLUÊNCIA DA ARTE NA ATUALIDADE 

  ou

A INFLUÊNCIA DA ARTE HOJE  ( ALGUMAS VERSÕES DE COMO ABORDAR O TEMA )



 

Certamente, ao estudarmos História ou especialmente História da Arte, a maioria das informações se referem ao passado mais distante ou até ao passado mais próximo, mas nunca ao presente e aos impactos da Arte atual.

 

O sentimento que se tem é que tudo a meras curiosidades e velharias. Aparentemente, também, não parece haver nenhum olhar importante e útil ao se debruçar sobre a Arte atual. Quase sempre acriticamente venerada, como se tudo produzido na Arte hoje seja inocente, divertida. Lúdica, boa e automaticamente útil, estando longe se ser a mais pura verdade.

 

 

1)Primeiramente, temos que reconhecer a Arte como fenômeno e instituição social. Um fenômeno porque simplesmente a Arte surge na sociedade humana independentemente do desejo, planejamento ou de uma pessoa, ou um grupo de pessoas. Ela simplesmente existe. Também pode ser reconhecida como fenômeno, pelos mesmos aparentes motivos e baseada em uma necessidade humana, aparentemente universal. Em ambos os casos, sob as duas óticas, a Arte independe de nossa simpatia ou mesmo antipatia.

 

Essa Arte está em todos os lugares, manifestando em todas as possibilidades. Contradizendo a ideia de que é necessário ir a um lugar específico para ter contato com alguma Arte. De fato, vemos a Arte em todos os lugares e espaços. Entramos dela. A vestimos. A ouvimos e vemos. Às vezes a vemos e ouvimos juntamente. Entramos de obras de arte, vestimos criações artísticas, ao olhamos de longe, admiramos detalhes minúsculos; ouvimos arte, vemos arte, nos movemos artisticamente.

 

 

2) A Arte em geral se caracteriza por uma natural subjetividade e complexidade intelectual, por simples e simplória que aparente, técnica ou conceptualmente. É necessário o conhecimento de um contexto e de detalhes sobre cada obra para se chegar proximamente ou mais exatamente ao que o artista ocasionalmente quis expressar. Isso nos faz pensar e reforça a ideia de que qual quer coisa produzida na Arte deva ser feita, para de alguma forma, ser compreendida. A Arte, qualquer manifestação artística, não deve e não se limita a ser decorativa ou funcional.

 

 

 

VERSÃO 4

 

A IMPORTÂNCIA E IMPACTO DA ARTE ATUAL, HOJE.

 

 

Certamente, ao estudarmos a História Geral ou mesmo a mais particular História da Arte, o que vemos, em termos de informações, são predominantemente informações passadas. Isso é natural e plenamente compreensível,   mesmo porque é impossível uma “história futura”.

 

A sensação que se tem, e que também é bastante óbvia, é que nos faz perguntar a nós mesmos: que impacto têm essas obras de arte tão distantes no tempo de nossa própria experiência. Afinal, vivemos em outros tempos com outros problemas, nossos próprios problemas, desafios e soluções que, convenhamos, achamos bem melhores que a deles e mais inteligentes.

 

A Arte, ou as Artes, em todas as suas formas, expressões e gêneros, sempre explica o que somos, SENTIMOS, CREMOS, PENSAMOS, SONHAMOS, TEMEMOS E DESDENHAMOS. A Arte funciona como uma radiografia de um tempo, das pessoas daquele tempo, daquele lugar, com aquelas características. Nossos antepassados tiveram a sua arte e a sua radiografia. Nós tempos a nossa que poderá ser estudada e reconhecida no futuro. Os futuros humanos saberão quem fomos pela nossa arte, feita e difundida hoje.

 

 

A IMPORTÂNCIA E OS IMPACTOS DA ARTE ATUAL, HOJE.

 

 

Certamente, ao estudarmos a História Geral e em particular a História da Arte, o que se percebe, com todas as informações que nos são repassadas, é que tudo, óbvia e naturalmente, se refere ao passado próximo ou ainda mais distante. Essas informações, de um passado diferente, na verdade, parecem ser somente curiosidades e excentricidades e pouco ou em nada relacionadas às nossas vidas, nossas vivências e a nosso tempo. De um modo objetivo, essa multidão e variedade de obras artísticas produzida por uma multidão incontável de artistas dos passados, tanto distante como próximos, enche os nossos olhos. É muita informação e cada vez maior a cada dia. Com o advento da invenção dos processos de gravação e de reprodução, esse volume de informações chega a ser alucinante invadindo os nossos sentidos. Antes era somente a visão, hoje nossos ouvidos ou ambos.

 

Obviamente, objetivamente, essa multidão de obras produzidas por artistas de todos os tempos bem antes de nós, nada tem a ver conosco mesmos e dessa forma impacto nenhum, benefício nenhum pode nos causar. Mas o que dizer da Arte contemporânea, aquela produzida exatamente em nossos dias e não décadas atrás, a chamada Arte moderna. A moda é um exemplo disso, em menos de uma década, ou muitas vezes, bem menos, roupas e acessórios são abandonados, esquecidos. O que já foi “moderno” e “novo”, agora é desprezado e ninguém ousa usá-los. O mesmo ocorre com móveis, automóveis, raras exceções, eletrodomésticos, etc. Muitos se esquecem que “Arte” não é aquela estranha em galerias e exposições, mas expressões visuais e estéticas que nos rodeiam por meio de objetos, arquitetura, marcos culturais e históricos, expressões de beleza e de valores em determinado tempo e espaço.

 

 

Certamente, ao estudarmos História Geral ou ainda especificamente a História da Arte, percebemos o óbvio: a história só pode ser referente ao passado, seja ao passado mais distante ou ao mais próximo. Uma história futura é impossível, seria somente ficção. Essas informações do passado, aparentemente inúteis, a não ser pelo enciclopedismo ou pela curiosidade (informação pela informação). Afinal, eram outros tempos, outras pessoas, outros desafios e outras soluções.

De forma geral, o que a multidão de coisas produzidas constantemente pelos mais diferentes artistas, em diferentes gêneros e tipos de obras, têm a ver conosco e como de alguma forma influenciam as nossas vidas individuais ou em grupo?

sexta-feira, 20 de junho de 2025

O QUÃO É IMPORTANTE COMPREENDER REALMENTE A ARTE! O DESASTRE DOS GUETOS CULTURAIS...




 Na imensa maioria das situações cotidianas, não compreender a Arte, pode somente redundar em situações embaraçosas, patéticas, mal entendidos e, popularmente, em verdadeiros micos. Mas oxalá fosse somente essas as consequências desse não conhecimento ideal das coisas. Na verdade, há não poucas situações em que tais faltas de verdadeiro conhecimento termina em violências, crimes e até mortes. 


Entretanto, há uma situação artificialmente fomentada, não inscrita em lugar algum e fundamentada em falsas teses: a formatação de autênticos guetos artísticos na qual as pessoas são praticamente desencorajadas a desfrutarem, se desenvolverem e a se expressarem em um tipo de arte que não seja ligada à sua própria ou presumida etnia, classe social ou origem.

Mas inicialmente revejamos o conceito de "gueto": gueto foram regiões físicas, arbitrariamente impostas, por razões ideológicas, por ações políticas de repressão ou de clara discriminação, especialmente racial, onde pessoas identificadas com mesmas características e de certa forma indesejáveis aos olhos dos projetos de elites dominantes em algum poder momentâneo, eram impedidas de sairem desses locais. Como exemplo temos, as populações judaicas em Veneza, na Itália, por perseguição católica dos reis espanhóis e posteriormente na Alemanha, Polônia por decisões maligna dos nazistas alemães. Esses não foram historicamente, os únicos exemplos nefastos dessa ocorrência singular.


Uma canção belissimamente composta, gravada pelo extraordinário barítono Elvis Presley e regravado primorosamente em dueto com a sua filha, hoje falecida, ex esposa do Michael Jackson, intitulada exatamente "in The Gueto", nos dá uma visão de uma região de uma grande cidade dos EUA, em que as pessoas , especialmente as crianças  e os jovens, por incapacidade de terem uma outra vida, um outro destino, estavam repetindo um ciclo de nascerem em pobreza, crescerem em pobreza e morrerem de forma absurda.

Mas o nosso assunto, nessas postagem e desenvolvido em dezenas de aulas, junto a centenas de alunos, tocando exatamente nesse ponto, é a realidade nada romantizada, da existência de guetos culturais, que embora invisíveis, ilegais, não jures prudenciados, existem e fazem com pessoas sejam coagidas de forma às vezes irreversíveis, a gostarem das mesmas coisas, terem os mesmos valores e não terem a possibilidade artisticamente de aspirarem nada que não seja o invisível e solidamente decretado pela sua origem, sua etnia, sua "raça" vulgarmente falando, sua situação social e econômica, todas essas bases e justificativas totalmente falsas e lamentavelmente reforçadas por professores, sistemas de ensino, ações políticas erradas e somente às vezes quebrada por culturas religiosas e por entidades que oferecem ao grupo nem menor de pessoas a possibilidade de escaparem dessa atroz forma de determinismo e de ciclo nefasto de repetições que gera não só uma estagnação como uma degradação do que pode ser reconhecido de legítima cultura e real patrimônio cultural e artístico de toda a humanidade, que deve ser universalmente compartilhado e permanentemente aperfeiçoado e elevado.

Primeiramente, deve ser lembrado que a quase predominante divisão da humanidade em duas partes simplórias, eu repito, entre "brancos" e "negros", além de descabida, injusta, anti-científica, é nefasta. Reforça erros e injustiças históricas e recria fantasma e monstros piores do que já nos assombraram. Cada época, cada geração, cada povo, comete seus próprios erros e muitas vezes irreparáveis. É o tal do anacronismo. O que lhes parecia certo, só aparentava ter alguma lógica cabível, pela miopia em que viam a realidade. Nós hoje erramos em coisas que eles não erravam e acertamos em coisas que eles erravam crassamente. As gerações futuras rirão ou lamentarão a nossa confusão mas eles terão as próprias bobagens em que acreditarão e feroz e pateticamente defenderão, é certo que isso acontecerá.


Bem, lembrado isso,é cabível lembrar que só na África sub-Saara, há pelo menos três mil etnias, abrangendo dezenas de tonalidades de pele, comprimento do túnel do nariz, altura do túnel do nariz, proporção da prega epicântica sobre ou abaixo dos olhos, proporção dos lábios e diferenças entre o cabelo mais crespo passando por uma variedade de crescimento e tipos de cabelos, todos crespos. Na Rússia, hoje, após a extinção da URSS, mais de cem etnias catalogadas; na China cinquenta e cinco etnias e poderíamos a,  titulo de demonstração e argumentação, enumerar a variabilidade de seres humanos e suas característica, por cada região no mundo, desde as menores aparentemente menores ( e só aparentemente ) até as grandes regiões territoriais no mundo. Catalogadas, temos cientificamente, pelo menos cento e dez tons de pele. Entretanto, os ativistas de "raça" só enxergam, por ser aparentemente conveniente ao seu ativismo, "brancos" e "negros"!


E é com base nessa divisão arbitrária, que é justificada por outras bobagens como regionalismo e cultura "do campo"e "da cidade", que compulsoriamente cada indivíduo, é invisível e silenciosamente coagido a gostar e a produzir só determinado "tipo de arte", sendo lhe objetivamente vedada outras, por serem "burguesas", "de nações ou povos imperialistas", "colonizadores", etc. Faço uma pergunta objetiva que não pode ser honestamente desviada: Alguém deixará de usar um automóvel ou outra pérola do consumo moderno como computadores e celulares ( que são computadores ) simplesmente porque "não foi a sua etnia que a intelectualmente a produziu"? Ou ainda, porque não arremeta a sua cultura nativamente étnica? Claro ainda não vi no Brasil, uma banda de punk rock formada por indígenas ( lol ) e nem veremos por força de uma entidade invisível e desconhecida!


Nas aulas sempre converso com alunos e alunas, dessa forma colho depoimentos sinceros e ouço falas que não são ( e isso é absolutamente verdade! ) oportunizada, tanto por livros didáticos como por professores que só rezam na estrita mediocridade dos bilionários livros didáticos produzidos, permitidos e comprados pelo governo federal. Numa dessas uma menina mestiça, mas que tecnicamente enquadrada como negra, deu o depoimento de que chegou até a iniciar-se no balé, mas a partir do que eu disse, embora ninguém tenha jamais lhe dito objetivamente que não era para ela aquela expressão artística, ela percebeu que houve algo invisível, silencioso, vindo dos olhares das pessoas, "que aquilo não era para ela".

Um outro depoimento, vindo de uma aluna “tecnicamente branca” ( mesmo porque não há como reconhecê-la de outra forma, por saber fazer, todo o tipo de tranças e arranjos de cabelo "não brancos" e por fazer em si mesma, alguém olhando para ela, sem dizer nada, elogio ou crítica ( e la afirma não ser apenas uma vez! ) como se dissesse:" o que tem a ver isso com você?"E ainda há a justificativa ideológica, totalmente injustificável: “apropriação cultural".

Eu e a minha esposa, por ocasião do aniversário de primeiro encontro, há trinta e nove anos, estivemos no Grande Teatro do Palácio das Artes, aqui em Belo Horizonte. A jovem pianista de origem nipônica, uma brasileira de ascendência japonesa; o maestro de origem húngara, talvez ou alemã, depois confiro e corrijo aqui. Mais de oitenta músicos na grande orquestra. Por pura curiosidade, somente sete músicos da orquestra podem, tecnicamente e isso é muito importante, podem ser considerados negros, nenhum retinto ou minimamente africano. Todos apenas mestiços. E por que isso? Simplesmente falta de talento nato, falta de condições de estudo? O estudo de música no Brasil é um luxo e algo muito pessoal, mas a razão é que se você é negro, ou mulato, ou mestiço, ou "biracial", ou "mixed" como dizem nos EUA, você é incentivado ( a ) a tocar instrumentos percussivos na música popular ou no máximo um contrabaixo bem grouve.

 

A pergunta, novamente, é: Há verdadeiramente algo que ligue qualquer etnia ao desenvolvimento ou gosto artístico de alguma pessoa no mundo, tanto positiva, quanto negativamente? E a resposta é um sonoro e definitivo não!  Muitas vezes esses desvios de percepção da realidade passam despercebidos sendo abalizados como uma preservação cultural e das origens étnicas de cada pessoa. Entretanto, se voltarmos no tempo, em nome da preservação de valores, crenças e comportamentos, só para exemplificar, será admissível as esposas e animais domésticos serem queimados vivos juntamente com os corpos do maridos falecidos, como faziam os brancos vikings. A humanidade deve, ou deveria, caminhar para a frente, aperfeiçoando tudo de louvável, que como espécie construímos, burilamos a cada geração e não ao contrário. As crenças pagãs eram uma das características de povos tão inteligentes que nos legaram coisas que não precisamos descobrir novamente, como o dia dividido em vinte quatro horas, cada hora em sessenta minutos e cada minuto em sessenta segundos. Ou ainda os nove algarismos hindus que usamos hoje em todo o mundo, ou o mais de trazendo e sessenta dias a cada ano; ou o número Pi... entre tantas descobertas absolutamente geniais e multi "raciais". Mas todos esses povos tinham não poucas ideias abomináveis. Deveríamos ressuscitá-las para provar que de algum modo viemos deles? Obviamente, pessoas lúcidas responderão, que não!

Assistas os vídeos seguintes e reflita: cada músico desenvolveu uma música que não era originalmente de sua "cultura", "etnia", "classe social", e por uma opção pessoal se desenvolveram técnica e artisticamente.


















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