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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

RETOMANDO: O TEMA NA ARTE ( PARTE 1 )

Mais uma vez debruçando sobre esse assunto que se faz importante e necessário devido a relação e expectativa erradas com a Arte. Normalmente as pessoas estabelecem que a sua relação com as obras de Arte constituem uma relação eminentemente empática ou emocional.

Já explico: gosta-se ou não se gosta de determinada canção, pintura, filme, novela, roupa sem se considerar outras questões como complexidade, sofisticação, simplicidade, etc.

Se a Arte é humanamente produzida e que esse artista como pessoa percebe e reage a esse mundo a sua volta a sua arte será sempre uma resposta e uma intervenção nesse mundo real em algum assunto (tema ).

Algumas pinturas abaixo e análise de temas abordados direta ou indiretamente nas mesmas.

O artista é Almeida Junior, um pintor brasileiro de talento reconhecido pelo imperador D.Pedro II e bancado por ele seus estudos na Europa.

ALMEIDA JUNIOR " O IMPORTUNO"... ( ou  O inoportuno de 1898 )


Capta a cena singular, profissional de uma modelo, final de século XIX e a jovem é retratada em um dilema: não sabe se se despe ou se permanece vestida diante da iminente entrada do ateliê do artista.



Se ignorarmos o contexto, a época da pintura, a sociedade da época, e toda a complexa relação entre mulheres e homens com suas raras concessões e a forma como essa peculiar relação era efetivamente corrompida e driblada e a posição e opinião do artista.

A nudez masculina e feminina só se estabeleceu efetivamente entre povos indígenas e mesmo assim nunca completamente, havendo elementos, acessórios corporais que sempre driblavam e dissimulavam a nudez total e absoluta.

Na sociedade civilizada isso era driblado, subvertido, em nome da descoberta e revelação artística em troca de dinheiro, uma compreensiva e necessária troca, necessária à sobrevivência, da modelo e do artista, por motivos e motivações, natural e compreensivamente diferentes.

Embora um ato de subversão e quase secreto, tanto a nudez como o trabalho do artista, do pintor no caso, tratam-se de uma atividade secreta e até hoje, em pleno século XXI, algo pouco natural a imensa maioria das pessoas, homens e mulheres, cidadãos e cidadãs comuns.

L
ogo o tema é o assunto, aquilo de que o artista, o caso o pintor, trata em sua obra que poderia ser objeto de algo maior, no sentido de outra elaboração, como uma dissertação ou uma tese. Por um lado a revelão de duas ocupações, profissões, modelo e pintor, quase secretas e praticamente ocultas ao conhecimento e olhos das demais pessoas comuns ocupadas com seu trabalho comum e com as relações mais predominantes na sua sociedade, relações mais natural o dogmamente aceitas, deitadas por convenções não escritas mas reais em uma sociedade real.

Uma moça de família, uma mulher socialmente comprometida, não resolvida com a revelação quase pública de seu próprio corpo não se daria satisfatoriamente nessa ocupação mesmo sendo bem paga, ao que dificilmente era o caso, tão diferente das revistas masculinas ou mesmo das legítimas propagandas de langeries em revistas catálogos de roupas íntimas femininas modernas.

A obra "Saudade" de 1899:

 

A pintura acima tem como título "Saudade". Erroneamente muitas gerações aprenderam da boca de professores de português que o nosso bom português é a única língua cujo sentimento é expresso exatamente em uma só palavra. Tal afirmação ensinada e repetida à exaustão não corresponde a verdade.

Em alemão saudade  é:

Sehnsucht ( "zinzô" ), embora "saudade em português seja a sétima palavra mais difícil de se traduzir em muitas línguas, embora certamente isso não tenha sido tentado ns milhares de línguas existentes no Brasil, cento e noventa só no Brasil.

A palavra "(die) Sehnsucht" é, sim, "saudade". O Duden a define assim: "inniges, schmerzliches Verlangen nach jemandem, etwas [Entbehrtem, Fernem]" (desejo profundo e doloroso por alguém ou algo ausente ou distante). Isso posto, a obra do artista que teve formação pictórica na Europa, tenta traduzir na sua obra a exatidão desse sentimento.

A personagem de sua obra lê uma carta certamente de alguém que não está mais com ela, ou distante ou ausente definitivamente, por morte, prisão ou exílio. Todas possibilidades bem reais no século XIX diferente da nossa realidade em pleno século XXI. Logo o que já é problemático para linguistas e tradutores é o tema e o assunto da obra do referido artista, tema esse atemporal e universal.

 A grande diferença entre "saudade" e "Sehnsucht" está no fato de que "sich sehnen" e "Sehnsucht" também podem se referir a coisas futuras, desejos, enquanto o sentimento saudosista é geralmente ligado a algo do passado, algo distante, algo perdido etc. Quando o "sich sehnen" se referir a algo futuro, algo idealista (não-concreto), tem o sentido de "ansiar por", "ter grande vontade de" algo. 

Desse modo a existência de um título dado pelo autor ( muitas obras recebem títulos dados por críticos ou pelo público, pela simples ausência de um título autoral ou o desejo do próprio artista em não dá-lo a sua obra ) impede a possibilidade de uma ansiedade futura, o desejo de rever alguém ou a esperança que algo de melhor aconteça futuramente.

"Er hat Sehnsucht nach Liebe" não quer dizer necessariamente que ele sente falta, mas sim que ele deseja, que anseia por amor. No entanto, se no contexto ficar claro que se trata do mesmo sentimento saudosista, da falta, das lembranças de algo passado, que se deseja no momento, significa "saudade". Os alemães têm também a palavra "(das) Heimweh", que é ter "saudade de casa". Mas se a palavra "Sehnsucht" existe e quer também quer dizer o mesmo, qual a polêmica? E por que insistem em dizer que "saudade" é única do português?

 O problema está nos inúmeros usos que fazemos dela no português. Nós a usamos bem mais e em bem mais casos que no alemão. Vou dar só alguns exemplos: 1) Ao terminar uma carta, um brasileiro escreve "Saudades, Ana". Um alemão nunca terminaria uma carta escrevendo "Sehnsüchte, Ana". Para se dizer que se sente a falta de alguém os alemães usam o verbo "vermissen" (dar falta, sentir falta etc.). Ich vermisse dich! (Sinto sua falta! ou Sinto saudades suas!) Numa carta, cartão postal, e-mail dá pra terminar com "Ich vermisse dich", sem problemas.

Outra opção é usar o verbo "fehlen" (faltar, fazer falta). "Du fehlst mir" (você me faz falta). Dá pra dizer "Ich habe Sehnsucht nach dir"? Claro que dá. É menos usado que "Ich vermisse dich", mas dá pra usar, sim. O que não se faz é terminar uma carta somente com a palavra "Sehnsucht" solta, como fazemos em português.

Quem foi Almeida Junior?

José Ferraz de Almeida Júnior,
foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do século XIX. Wikipédia Nascimento: 8 de maio de 1850, Itu, São Paulo Falecimento: 13 de novembro de 1899, Piracicaba, São Paulo Nacionalidade: Brasileiro Formação: Escola de Belas Artes de Paris (1876–1882), Academia Imperial de Belas Artes (1869–1874)


Outras obras:

"Descanso do modelo"




Leitura



O Pintor Belmiro de Almeida



O Ateliê do artistas



Apóstolo São Pedro ( 1869 )


Cena de família




Anúncio em jornal da época




Almeida Junior ( foto )




Almeida Junior "Cozinha Caipira"




Retomando a obra e a observação dos detalhes da obra "Saudade" ( 1899 ) a última da vida do artista Almeida Junior










Esta obra de Almeida Júnior tem a estrutura padrão do século XIX, segundo as regras acadêmicas. O artista ousa nessa obra ao mostrar o sofrimento e os sentimentos de uma mulher simples, que pode-se constatar pelas roupa e casa simples de uma mulher comum. Nesta época as emoções não eram retratadas e nesta obra o pintor valoriza os sentimentos de uma classe social que não pertence à elite.

As cores da casa, do local se harmonizam com os tons de pele da mulher mostrando que ela pertence a este local. Perceba que no primeiro plano acima tem um chapéu masculino, o que representa a superioridade masculina e a ausência que se faz presente por essa representação. A postura da mulher voltada para dentro indica introspecção ignorando o universo externo.

Repare na luz que desce pela lado esquerdo, passa pelo chapéu, brincos, boca, lágrimas, carta ou documento, um livro e vai até o baú entreaberto. Nosso olhar é guiado por essa luz para observar todos os detalhes que passam informações preciosas que o artista deixou para enviar a sua mensagem. A obra pertence ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.



Tamanho real da obra



Helvécio S. Pereira*

*graduado em Desenho/ Plástica/ História da Arte e Pedagogo

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